sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Senhora Professora Eu Confesso II

Podia estar a foder uma professora, ou a escrever um poema sobre uma professora que fodi,
Sob o efeito de muito sake, mas já não há nada para aprender a estas horas, nem para ensinar,
A grade de cervejas, alguém se esqueceu de a levar de volta ao café, não fui em quem a pediu,
A escola agora está vigiada, tem porteiro, a cama tem os lençóis frios, e de manhã espera
O meu corpo cansado para a aquecer, o sake agora só com a desculpa de um sashimi duvidoso,
Vai-se às peixeiras do Bolhão comprar salmão fresco da Noruega, tão longe, tudo deixa
De ser o que se diz que se é, até as tatuagens perdem a cor, as cobras tornam-se em manchas
Estranhas em ombros que um dia tiveram a nossa saliva a secar e o nosso esperma, salpicado,
A cristalizar sob o céu estrelado do Inverno que sem promessas tudo torna escorregadio,
Houve uma professora nas pradarias africanas, onde o céu queima poetas com a mesma
Inocência com que os poetas fodem, a mesma curiosidade do primeiro beijo, não há desculpa
Para aquela escavadeira a enferrujar onde os elefantes fodem em Samburu, mas fica a dúvida
Da chuva, os pneus também temem uma vergonha, não agora, as professoras dormem,
Ou engolem alguém mais ou melhor, não interessa, tudo passa e até os dedos perdem o cheiro
Do sashimi que se cortou mal, quase um dedo, tal é a virgindade de cada poema,
A porta do carro já não se abre para ela gritar, armada em lobisomem com uma piça bêbada
À procura de um aleitamento outonal, dizem que um ficou doente e teve filhos, o outro
Continua a engordar e a sonhar com iguanas entre garrafas de mini, tornou-se político,
Ou besta de carga, como todos no fim de contas, neste país de puxar burros gordos
Pelas mentiras e promessas ridículas fora, não há professoras, a não ser as amigas,
Agora também essas não fazem mais nada a não ser fazerem de esposas responsáveis,
Há quem tenha sorte tendo apostado tudo antes do river, até as garrafas deles estão cheias,
Não compreendo, mas é mesmo por isso que continuo a escrever, sobre professoras e assim.


26-10-2013

Coimbra


João Bosco da Silva
Um Daqueles Sobre Pouco

Houve duas noites, numa foi aquela das duas miúdas de Helsínquia, em que uma me disse
Tu não pertences aqui, e tudo  bem, conversa toda a noite, e no fim, eu e o meu amigo médico
Turco, fomos com elas até ao carro onde elas iam dormir depois, e depois dormiram,
A outra foi na mesma discoteca, eu e o meu Dean, depois de termos ganho uns bons euros
No blackjack, das poucas vezes em que isso acontecia, duas, desta vez mesmo da zona,
Uma delas não estava muito virada para a conversa, a outra sim, um loira, Lolita bem armada,
Com bastante leite para dar e beber, eu com a mesma conversa de ser velho, há quantos anos
Ando eu com esta conversa, a gaja estava louca para viver, para saborear, para experimentar,
Nem que fosse engolir o meu mijo, a outra, tentava esconder as queimaduras, consequências
Do seu trabalho, trabalhava para o palhaço que diz ajudar as crianças, a ficar gordas e
Futuros bipass, a mesma puta de hipocrisia que faz crescer uns à custa da miséria dos outros,
Miséria feliz, mas pronto, escondia os braços, as queimaduras a cona e tudo o resto,
Naquela noite uma santidade, não estava bêbado para o que quer que viesse, mesmo assim,
Ficou, sou vingativo quanto ao desperdícios de possíveis momentos de orgasmo, ou ao menos
Penetração, já há algo de revelação nisso, ou não, não se foderia tantas vezes bêbado,
Se não, ou sem vontade, se não, ou só para conspurcar, conquistar, submeter, vontade do poder,
Filhos da puta, vacas e viciados em glória para levar o caixão cheio de sapatos de verniz e um
Fato que nunca se vestiria em vida, seja como for, pagamos tudo, a noite ficou barata e ainda
Teve que se pedir o resto das fichas em dinheiro para levar para as hambúrgueres da tarde seguinte,
Manhã, nem pensar, não há manhãs nos dias livres de onde se é pago pelo trabalho que se faz,
A tal Lolita, muitos dias depois, pediu caralho, apanhou-me numa ressaca fodida,
Estou, neste momento a pedir-te para vires aqui, onde vivo, e foderes-me a cona até ao cérebro,
Impossível, realmente era impossível, naquela noite tinha um poema para nascer e responsabilidades
De fachada para poder dormir e acordar numa cama quente todos os dias, ou a maioria,
Nunca me perdoou pela recusa de piça, quando ma pediu, tão encarecidamente,
Quanto à amiga das queimaduras, é uma das loiras nos poemas anteriores, das que engoliam,
Pediam mais, fodiam nas camas das amigas, nas casas de banho enquanto os meus amigos
Tentavam engatar a amiga lésbica ou adormeciam com uma lata de cerveja na mão, no sofá,
Ao lado de uma máquina de escrever vermelha, que não escrevia nada, porque estava só
Para se ver, há muitas assim, por isso, mais vale pegar numa caneta e escrever no papel gorduroso.


26-10-2013

Coimbra


João Bosco da Silva
Demasiado Cansado Para Dormir

“Sit and drink Pennyroyal Tea
Distill the life that´s inside of me”

Kurt Cobain

Os versos fermentam no cansaço, amadurecem nos dias cinzentos
Entre horas perdidas, roubadas à exaustão, mas o sumo,
Esse vem do Verão, da seiva que escorre dos dias loucos,
Das overdoses de felicidade, quando se bebe para alargar a noite
E não para aliviar os olhos do peso dos tempos sérios e sem
Grandes horizontes verdes, as ovelhas ainda pastam na periferia
Da confusa cidade, que o Turner visita ao fim do dia para pintar o céu
De medo, os olhos procuram o alívio das pálpebras  vermelhas ao Sol,
Mas não há Sol, não para todos, é por essa razão que
Todos sonhamos , consumimos o açúcar dos sonhos para tentar
Embebedar os outros com a certeza de todas as nossas incertezas,
E um verso é uma confissão, mesmo quando vinagre, é o testemunho
Da doçura que o tempo transformou, como a ignorância em
Maldade, inocência em hipocrisia, o cansaço num sono impossível
De dormir e que os dedos tentam largar, letra a letra, como
As moscas desesperadas por causa da chegada do frio, procurando
Um sentido para levar toda a confusão à razão, já o mestre dizia
Que a verdade está na doçura, mas nem todos a conseguem
Saborear enquanto escorre pelos dedos, falta infância,
Na verdade, as lágrimas sempre foram mais reais que sorrisos.

Coimbra

25-10-2013


João Bosco da Silva