sexta-feira, 6 de junho de 2014

Calças Brancas

Enquanto houver putas no mundo, o dinheiro terá sempre poder.

Provérbio possível


Os anos luminosos das calças brancas, gloriosos, exagerando na duração de uma horas
Bem fodidas, diferentes calças, no mesmo Verão do ano da graça dos inibidores
De recaptação de felicidade, os orgasmos eram demolidos com vontade de dinamite
E uma boca tão seca que as calças brancas tinham que cuspir nela para ajudar na
Transferência entre os pares de lábios, o melhor mesmo era  ir ao encontro das calças brancas,
Encurtar a distância passo a passo, tornar o calor da carne próximo e possível, real,
Construir lentamente o seu tamanho verdadeiro, a sua textura na proximidade dos olhos
Num dia de Sol, sempre prontas a escorrer pelas pernas abaixo, revelando todos os medos
E segredos óbvios em forma de gemidos e promessas de curta duração, quando o Sol já
Se punha e se desmontava ou a manhã chamava para as obrigações inventadas,
Ou lá ia eu e elas ficavam em cima de uma cadeira, ou esquecidas no chão,
À espera de outro que as libertasse do seu trabalho, o de inventar vontades,
Tela pronta para ser ejaculada, respeito cuspido com todo o poder do desprezo,
Certeza de durabilidade negada pela vontade das sombras interiores nos meses de luz,
Calças brancas e tudo o que revelando, elas escondem e esconderam, ou fingem esquecer.

Turku

05.06.2014


João Bosco da Silva

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