quinta-feira, 29 de outubro de 2015

“3:16 e …” Versão De Um Poema De Bukowski

Aquelas músicas que não chegam lá, já não chegam lá, como se o caminho
Se tivesse tornado mais longo, até às cordas, ou a parede ficou mais espessa,
E não tenho sono de tarde, não é sono o que tenho sempre,
E não é que esteja melhor a dormir, ou com a luz apagada concentrado
Apenas no som que não chega lá, já não, mas acaba-se mais
Facilmente, parece que o que vibrava dentro está
Agora como as asas das moscas presas entre os vidros das janelas,
Agora que o verão se foi e já se varreram os copos de plástico
E o fígado cicatrizou de todas as madrugadas que se engoliram
Em músicas que já não chegam lá, perdem a força pelo caminho
Que se percorreu em direção à aniquilação, ainda não se chegou,
Engulo o sol possível de um copo nórdico fabricado na França
E lembro-me da morte lenta de Bukowski e na sorte que ele teve no azar,
Para quem não tentava, trabalhou bem o seu caminho até à imortalidade,
Agora, 03:16 e nem mais um segundo, sem sono, ouço mais uma vez
A mesma música na esperança de acordar as moscas de outros verões.

29.10.2015

Turku


João Bosco da Silva

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