terça-feira, 29 de setembro de 2015

Eminem

É uma questão de definição meu, nós iguais, é o tempo que nos esquece,
Envelhece, perde a definição, enruga-nos, é um problema de visão do tempo,
Porque nós iguais, menos no espelho, mas esse é vassalo do cegueta, nós iguais.

30.09.2015

Turku


João Bosco da Silva
Long Gone Motherfuckers

A vida fode-nos tantas vezes, mas depois de engolirmos muita lama,
Lá regurgitamos tudo, desculpa, se calhar nunca o cheiraste, não sabes o que perdes,
Contudo, hoje deram um nome ao óbvio, a esses microcosmos de imitação,
Os ditadorzinhos ad infinitum, mas a minha sensibilidade social é
A de foder as empregadas dos ditadores em casa deles, sem pagar nada,
É que nem aprendi nada mais além de que para a próxima não devo trazer
Comigo aldeões esfomeados por mexilhões, que comam salpicão
No convencimento de que são os melhores caçadores de gambozinos da terra deles,
Que morram felizes contra uma oliveira qualquer como qualquer um que era bom rapaz,
Ui, mas aquele caralho, não gostava da gente, era um renegado, sim, é verdade,
A cada gole apagava-vos um pouco mais, é demasiado difícil trazer tanta gente contrariada
No coração, convencida que eu uma outra coisa qualquer que não aquela merda
Que me apresentei, descarnado, a alma à vista, juro, e o espanto do meu próprio erro,
Mas que fazer, quando engolem mais do que aquilo que podem sentir, não por fome,
Para mostrarem o estômago cheio de ar e de ridículo quando se vê desde uma distância
Segura e sim, ridículo, endurecimento, a arte de se tornarem pedras, para não dizer cepos,
Por minha culpa minha tão grande culpa, orgasmos nos erros cedidos de boa vontade.

30.09.2015

Turku


João Bosco da Silva
Slim Shady

No muro da casa velha, quase perto da hora de ir para casa, isto é às dez,
O toque das tuas mãos nas minhas sabia-me a todos os lábios que um dia
Iria sentir, ou quase, dependendo do estado, nem sempre o cérebro esteve lá,
Mas tu não fazes ideia, apaixonaste-te por uma ideia, eu demasiado pobre
Para uma ideia, mesmo que tenha começado a escrever poesia por ti,
Por causa daquele poema que tu escreveste sobre as torres gémeas,
Mas vês, eu comecei a escrever por amor e tu pela catástrofe,
Não sei se ainda escreves, mas eu agora escrevo também pela mesma razão.

30.09.2015

Turku



João Bosco da Silva
Jurassic Park

Agora é só Grécia e lábios fartos e, fogo, nunca me tinham feito vir assim
E o meu grelo tem saudades, e . . . poemas e nádegas fartas à espera
De um caralho bem lubrificado na rata, uma cuspidela, um polegar a orientar
E ai que é quase lá mas ao lado, mais um bocadinho que está quase, pára que,
Já tiro e toma, uma infecção urinária provelvelmente, não, menos mal, podem matar,
Ai que morro mais uma noite pequena, ai que estes franceses, ai que os filmes
Fizeram tantos estragos com vestidos distraídos com o vento nas bicicletas
E as cuecas e os selins infestados de febre de tesão, no feno, onde fosse,
A vida deliciosa no gosto amargo a cinza dos cigarros de papel enterrados nas paredes.

30.09.2015

Turku

João Bosco da Silva
Mega-Drive II

Sempre chegaste lá primeiro, lembro-me daquele tempo no natal, na missa do galo,
Quando eu julgava que nunca ninguém tinha chegado tão longe e que era impossível
Bater aquele boss, e tu me falavas que estavas dois níveis à frente e que o final
Era assim e assado e eu desiludido com a minha conquista medíocre,
Mas tu mais velho, tu maior, como daquela vez em que na festa da cidade
Em casa do nerd fracês dos computadores, engatei com o meu tijolo Ericsson a1018s
Uma das primas da capital com conversas obscenas aliviadas com muita punheta
Enquanto os foguetes iluminavam o céu do fim de junho e eu os lençóis alheios,
E ela convencida que era o teu número e mortinha para que lhe abrisses a boca da fome,
Quanta diferença faziam três ou quatro anos na altura, mas como, se eu sempre tive
O inferno cá dentro, apesar da destreza de dedos só mais tarde, venci tudo,
Salvei o mundo umas vezes valentes, salvei a minha filha, matei tudo o que tinha que ser
Eliminado, fodi mais do que tu no auge dos teus remorsos, contudo, morrerei
E ninguém ficará comigo como os que te levarão, não bem tu, mas mais do que
O que tento deixar em livros que ninguém lê, onde tu também estás, já te encontraste,
Existes mais do que aquilo que os que te odeiam sem razão, a vida tão estranha,
Não basta cima, baixo, esquerda, direita, a, start, e vamos para onde quisermos,
Estamos onde quisermos, voltámos para onde quisermos, nada disso, sempre em frente,
Fracassámos e não reiniciámos, continuámos, tudo só com uma vida,
Eu bem sei que seria atrás da garagem o reaparecer depois de morrer, agarrados à gaita.

29.09.2015

Turku


João Bosco da Silva
Fumo E Espelhos

Noutro tempo nem o caralho da braguilha conseguirias abrir, agora, os dedos voam,
A língua parece um puto dum boxista a mandar ritmo no saco até trocar os olhos
Dum mortal quase lá, agora desenterras o trigo podre, ainda antes da segada,
O tractor a passar mesmo antes de ela enfiar as mamas na t-shirt, mas o dedo,
Mais lento, ainda lá dentro a olhar para o castanheiro a fingir que, este ano
Muita castanha, Nietzsche estaria orgulhoso, com o fusíveis queimados,
A mim não me fodem mais estando ocupadas com futuros pais de filhos
Que amigos ou colegas e as escadas rolantes a subirem, a levarem sapos na boca
E a descerem de volta ao autocarro de carreira, de volta às invictas onde
Se lhe encheu o depósito e anos mais tarde a filha não é tua, como se,
Querias que fosse, não, não queria, mas em vez de num olho, nos dois
E rires-te depois com o azedo triste da recaptação de serotonina a rebentar-te
Nas horas do descanso de dobrar camisolas e calças e ajoelhares-te
Para levantares caixas de roupa, baixares a roupa para levares com a carne,
Remédio para o aborrecimento das cidades de província, nunca mais me pagaste
Um pastel de nata com um café, nem ao menos um iogurte no frigorífico
Quando a boca seca dos teus lábios alcalinos desembrulhados pelo álbum fora
Dum cantor que já nem te lembras, mas lembras-te que rãs e o aniversário
Do teu primo nos motores de rega que te frisavam o cabelo, não é,
E as rãs a coaxarem com ela a dizer que sangrava na manta do piquenique
De fome, mas depois com as calças brancas na invicta achou que demorava,
Quando regressou de dar duas chapas de água nas beiças no bidé avariado,
Meu deus, quanta pizza já comi nesta vida, tenho compensado com whisky decente
As fodas à confiança a ver se me desinfectam a alma e a frigideira com a omelete
Esquecida entre foda e fumo quando quase a vir-me, foda-se que morremos aqui
Uma morte nada pequena, mas nada, fumo, muito fumo nesta vida, mais nada,
E guardo estes pedaços de fotografias numa caixa de whisky numa ilusão de imortalidade.

29.09.2015

Turku


João Bosco da Silva

Ilha Em Fomes Alheias

A noite estava a queimar nos lençóis o excesso de álcool e cafeína,
No fim de contas só se estavam a justificar o coração a uns
120bpm, numa madrugada só a enrolar lençóis e confrontar paredes que aclaram,
Torna-se muito mais difícil passar o tempo, mas com uma gaja que está há mês
E meio à procura de trabalho para o noivo na ilha, o tempo voa,
Contam-se os orgasmos, é uma batalha, ainda não, pá, que queres, é a vodka,
Ou o rum, que se misturava com a areia e tornava os encontrões nas paredes
Duros, eu vou contigo até casa, abençoada, outra, sevilhana, ficou para o Natal,
De manhã era, como caralho estou aqui, nesta cama quase familiar, com lençóis
De semanas, sabe-se lá que variedade genética se poderia lá encontrar,
A luz negra neles seria um crime, e por fim, depois de o jogo estar perdido
Por muitos, sujaste-me toda, nas nádegas, pois foi, que a gaja era uma esquisita
E chupava como quem sopra numa ferida infectada e porque o grelo lhe exigia
Retribuição das avalanches que lhe derrubavam os joelhos,
O colega urso dormia, de boca cheia ou barriga juntinha às nádegas peludas de alguém,
Isto é um poema, não, é esperma seco na areia da praia ao amanhecer.

Turku

29.09.2015


João Bosco da Silva