sábado, 10 de setembro de 2016

Fear and Loathing In Figueira da Foz

“Que raio queres dizer, usar-me, virgem santíssima”, digo eu e entramos
No circo, todos com os bolsos cheios com os trocos espremidos dos pais
Ou da França ou da Suíça ou da Espanha ou da China ou de África
E o simpatiquíssimo coupiê a desconfiar da sorte do canto enquanto tenta
Desvendar em que nádega descai a tanga no cu da espanhola,
Ao meu lado levanta-se um, logo se senta outro, levanta-se este limpo,
Logo se senta aquele, cheira-lhes à sorte como se fosse algo contagioso,
Levanto-me eu do canto com um bolso do casaco de imitação de pele
Cheio de fichas e o outro cheio da desconfiança do dealer,
Então fica-se no 16 e pede no 17 fazendo 21, foi inspiração,
Lá sabem eles o que isso é, algo parecido à espanhola endireitar a tanga,
Contar, nunca fui bom nisso, nem a contar histórias, um dois lábios abertos,
É tudo, dos chineses que saltam de uma mesa para outra ninguém desconfia,
O gin espera, a tosta serrana com queijo da serra também,
Amanhã não haverá Sol, depois de amanhã só haverá sombra
E vontade de solidão e distância e hoje estamos aqui a mergulhar
No White Rabbit dos Jefferson Airplane e com pena
Que não haja uma banheira, toranjas e um advogado do diabo.

Turku

07.09.2016

João Bosco da Silva

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