sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A Dança Do Que Vier

Continuarei a fazer a minha merda, entre mais uma garrafa de whisky
E a próxima viagem de encontro a menos um país,
Poupa-se no caixão, a eternidade é fácil de aguentar,
A vida é que nos pede demasiado, há que lhe dar o melhor que podemos
Sem ter que esforçar muito derrame de lágrimas,
Continuarei a sentar-me depois da tempestade, a encher o copo,
A procurar entre a árvore fulminada por um raio um resto de beleza e vida,
Continuarei a gritar contra ouvidos moucos de quem se sente dono da revolta,
Também continuarei a cagar neles, como eles querem cagar em mim,
Pobres pombos chatos de cidade, continuarei a declamar poesia
À luz de um candeeiro barato iluminando meus dedos,
Os mesmo que tocaram a pedra do túmulo de Bukowski e a relva verde,
E conas de que se perderam o nome mas tem-se uma ideia do número,
Seja como for todas perdidas, até o poema na rua onde se viu Rimbaud
Perdido, em Londres, ou o vidro do pub que reflectia a fome daquele pequeno-almoço,
Continuarei, cheio de remorsos por levar uma caneta, a mesma caneta,
Equador abaixo e acima, quando a diferença seria estar sem continuar
Umas horas ou uns dias, trocando dólares e euros pela possibilidade de mais uns versos,
Para livros que quase ninguém leu pela distância, pelo nome, por medo,
Continuarei até chegar ao magma, já lhe senti o calor algumas vezes,
Pena ninguém querer aturar a terra até ao que interessa,
Mesmo que muitas vezes seja a terra o que realmente interesse,
Continuarei a fazer a minha merda, com os anos até isto será combustível,
Com os anos até a poesia será combustível, para mim já tem sido, ou não chegaria aqui.

Turku

26.11.2016


João Bosco da Silva

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