sábado, 4 de março de 2017

Radiografia À Porta Da Cagadeira

O que esperas aí sentado nesse bar de imitação de apocalipse, não o de João,
O que a maioria de idiotas que têm poder, porque maiores idiotas lho atribuíram,
Andam a preparar, que fazes enquanto os heróis de infância, imortais na altura
Como os avôs e os amigos, morrem para encher bolsos e falta de imaginação,
O que esperas enquanto o esperma que nunca te morou nos tomates
Seca na pele em que um dia foste dentro, a bebida te aquece e a alma que deixaste
Há meia vida, te arrefece, não esperas o nascer do Sol, esse nasce só em sonhos
E nas memórias de sombras em três dimensões, então é o quê,
O copo vazio e o coração cheio de sangue saturado, um tronco amigo
No monte calcinado pelas ambições pastoras, a coragem de um ponto final honrado,
Se ao menos o mundo todo se desligasse com uns olhos fechados,
Esperas a foto de um filho que nunca geraste à beira do rio, no aeródromo abandonado,
No mar Báltico sueco, esperas o eco da resignação, a promessa que ficou naquela pele
Que agora enruga com os dias, na verdade não esperas nada, queimas,
Como os velhos à sombra encostados às paredes caiadas,
Queimas as páginas que vomitaste, os sonhos que tiveste que rasgar, o amor que azedou
E deixas-te ir até os olhos desencontrados se apagarem definitivamente.

Turku

03.03.2017


João Bosco da Silva

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