quinta-feira, 1 de junho de 2017

Um Tropeço Nas Noites Frias

Não se regressará nunca àquelas três horas entre o salto e o medo,
Entre nós um aeroporto e tantas ilusões, lembras-te do gosto do tabaco naquela noite,
Fazia frio, era tão longe assim o que estava perto, sentia-se nos dentes de batom,
Sentia-se no tártaro de vaidade, à distância de duas portas batidas e alguma roupa
Desleixada a caminho do precipício ou da salvação, nunca saberemos,
Há sempre um táxi que nos salva da dor delico-doce das memórias que podíamos amargar,
Assim azedamos nos passos que engolimos, mais um pontapé ao lado do miocárdio,
Mais um adiar aquilo de que se abriu a mão no mar alto e por sorte
Um dia um tropeço na praia, ou uma areia no olho num dia de vento
Quando já mais não sopre na vida e tudo um acender de velas pela fome
Que não matamos e nos matou um pouco mais, a nós que já morremos tanto.

Turku

02.06.2017


João Bosco da Silva

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