quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Enquanto Se Espera Um Conto Sobre Paris 

Na primeira em vez que visitei Paris, não comi ostras, nem tinha provado, 
Só mesmo nos livros do Hemingway e as pêras das páginas pareceram-me 
Muito melhores do que as que apodreciam na fruteira da cozinha, 
Acabei por trincar beiça junto a um muro do cemitério de Montmartre, 
As heras como testemunhas, depois de umas garrafas de vinho 
Com os tios franceses, o meu namorado foi acampar com amigos, 
Sempre a mesma conversa, ou pescar, ou ver um jogo não sei onde, 
Ou apresentar um livro, esses cornudos egoístas, era uma conquista 
Antiga, os anos caíram-lhe mal, a mim pouco me importava 
Com o barulho das luzes, o outro lado espera sempre e o vinho ajuda, 
Mais um corte de cabelo, uma confissão numa manhã primaveril, 
Uma mijada apertada depois de um filme longo num primeiro encontro, 
Não fossem os tios julgarem que a ssula estragada e contra uma árvore 
Pelo Sacré-Coeur abaixo, lá me chupou a língua escura do vinho 
Como os seus mamilos ao luar de um Agosto distante, 
Desculpa, mas tenho que ir e nunca mais a vi, ao muro sim, 
Sempre que por lá passo me lembra da noite em que não me perdi 
Em passados, e isto, aqui, só porque espero o conto de uma amiga sobre Paris. 

Turku 

11.01.2018 

João Bosco da Silva 

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