quinta-feira, 29 de março de 2018

Comprar Batatas

Com a mão num saco de plástico e enfiando noutro as batatas,
Lembro-me das manhãs que se acendiam lentamente,
E da terra que se lavava do corpo adolescente no rio,
Agora só encontro essa próximidade com a terra
Quando lambo uma ferida que sangra num dedo,
Ou o mesmo dedo depois de dentro de alguém que arde,
Nessas gotas espalhadas pela minha pele desconhecida
O sabor familiar de toda a terra e o aroma fértil da vida.

Turku

26.03.2018

João Bosco da Silva 

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