segunda-feira, 21 de maio de 2018

Há Coisas Que Ficam 

Parece que o mundo acaba quando alguém fecha a porta pela última vez, 
perfume pouco dura nos lençóis, os cabelos acabam por se varrer todos, 
Os ecos duram uns soluços que logo se pintam de ridículos, 
O ar parece nunca ter sido respirado o mesmo, o Sol regressa ingrato 
À pele cujo sal se conheceu tão bem na língua cansada dos dias, 
Parece ter sido tudo por nada, como na verdade tudo é, 
Mas então repara-se, depois de mais uma descarga de autoclismo, 
No cheiro fresco e verde do mesmo bloco sanitário, persistente, 
E percebe-se que não há nada que seja em vão, há sempre coisas que ficam. 

Turku 

21.05.2018 

João Bosco da Silva 

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