terça-feira, 24 de julho de 2018

Último Uivo 

Ao segundo filho, acho que já gastei os poemas que tinha de ti, 
Não para ti, nem um te foi dedicado, sempre fui mais vampiro 
Que artista, apesar do meu amor à lua e tudo o que protege 
Com a sua luz em segunda mão, ser maior que o abarcar dos meus dentes, 
Já nem sequer sonho contigo, imagino apenas como seria agora 
Que tão velho, foder alguém da tua idade, 
É triste ficar branco, mas pior é secar, ficar amarelo, como as folhas 
Que se cansam da ausência do sol, tem havido tanto, 
Todos os dias, tanto que me apetece uivar aos inúteis candeeiros 
Dos jardins onde tenho pecado e bem, 
Tenho fome dos nevoeiros de Novembro, das últimas curvas possíveis 
Entre um tédio que se tenta esticar até brilhar à geada a sua sinceridade 
Sem nome, tão perto sempre do esquecimento, 
Não fossem as raízes dos caninos por natureza me chegarem ao límbico, 
Ao segundo filho, é isto, não houve consequências das noites à beira rio, 
Será que ainda te servem as calças brancas, tão secas quanto eu? 

24.07.2018 

Turku 

João Bosco da Silva 

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