sábado, 12 de março de 2011


I must be a monster


I turn on the TV

And I see all my problems

In a different perspective,

All my worries sweep away,

I feel like stunned with apathy

While houses, cars,

Trains, trees, animals,

People,

Like toys in

A puddle of mud,

So surreal.

It´s hard to believe,

It´s hard to feel the size

Of it, when

People are used

To make a big drama

About a look,

A touch, about life´s

Simple things.

I must be a monster,

Because my heart

Is more easily touched

With a slap in the face

Than with the sight

Of the end of the world.



B.



quarta-feira, 9 de março de 2011



Poema de Embalar


Perceberás que nada do que sentes interessa porque nem o verão

Te acompanhará nesses dias vermelhos de noites púrpura

E tudo o resto serão imagens e palavras que deixaram de significar

O valor que tiveram.

Desiste e não queiras tornar sólido o que te corre pelo corpo

E mal te toca, com sorte os lábios ou a marca de uns dentes agora desconhecidos,

Um leve sabor metálico a cru com o suor de uma excitação aquecida

Pela madeira das noites frias de Novembro.

Tudo o que te pareceu ou parecer luz, irá consumir o combustível

E só tens que agradecer à escuridão por te ter permitido ver

E gravar esse aparente erro que nunca poderias ter feito de outra forma.

Nada apagará o passado, já que o passado nunca foi escrito

E é tinta nas tuas veias, é o teu corpo quente há um instante,

Os sonhos que trouxeste dos tempos em que tudo parecia simples

E era fascinante cada segundo mais de vida,

Livre das limitações dos objectivos e dos desejos que tomaste

Como prioridades, agora que és os anos que tens e não os olhos

Que abres para dentro quando há paredes e nada mais interessa

Além de ser e deixar correr livremente o líquido que não pertence a ninguém

E é um prazer sem orgasmos e ilusões.

Desiste e deixa-te viver sem pressas por comboios que já partiram,

Entra nas portas abertas sem medo de alguém lá dentro,

Estarás sempre só se tiveres medo e a morte que tanto temes

Não passa de uma solidão irreversível, uma única porta de sentido único

Para um quarto vazio e silencioso.

Deixa-te abraçar pela dor da ausência e sente o calor do que nunca morrerá em ti,

Sente-me nos teus seios que o tempo desiludirá e não te preocupes

Com a confusão do teu cabelo na luz dos meus dedos para sempre perdidos

No futuro impossível de eternidade.

Já deves ter percebido que a vida é uma paixão demasiado breve

Para se levar tão a sério, mas é o que tu és e não há nada mais importante

Neste universo que lê estas palavras, já que os lábios nunca serão suficientes

Para nós, nem uns ponteiros de relógio parados e esquecidos numa casa abandonada,

Nem um adeus nunca dito e mastigado na inevitabilidade da partida,

Na partida constante que é viver, porque nunca se chegará a lado nenhum

E só existe na realidade a partida.

Percebes agora que nunca chegaste a sentir e só ficou nos teus olhos,

Alguém que se afasta, de costas, em direcção a mais um vazio que nunca será completo,

Mesmo que os pratos cheios para uma fome invencível,

Mesmo que uma cama fechada de madeira de pinho depois de todas as dores abandonarem

O cozinheiro de sonhos.

Acredita que quando os rios se cansarem e as mãos secas e velhas se recusarem à esperança da tua pele,

O meu nome será apenas o que serei em poucos momentos de amargura,

Mas não tenhas medo, até eu fui vida

Em ti.



Turku



09.03.2011



João Bosco da Silva

terça-feira, 8 de março de 2011



A transcendência de π


Um mundo que morre é sempre um nascimento de um novo,

Doloroso, silencioso, já que o universo não suporta o vazio

E afinal sou todas as cartas de um baralho infinito com consciência

De um número, único e repetível pelas possibilidades quânticas.

Posso ser já um pedaço de matéria orgânica, pronto a ceder os meus

Átomos de carbono a outra forma qualquer de vida,

Posso nunca ter tido oportunidade de mostrar a cara, posso

Estar errado e certo e ambas as coisas até alguém provar o contrário

Ou estar de acordo com o facto de não existirem paradoxos.

Um mundo extingue-se, ou apenas muda de nome, acaba

Ou renova-se, eu e um espelho partido aos meus pés,

Reflectindo o peso de biliões de possibilidades, dando à fragilidade

Humana a responsabilidade de mil Atlas, confiando o trabalho de titãs

A vermes sensíveis, cheios de equações e deuses que expõem a sua ignorância.

Crio um multiverso a cada passo dado neste universo, com tantos passos

Possíveis que não dou e todos aqueles que dou e encerram ali algo mais

Para a minha definição enquanto indivíduo, quando sou uma raiz infernal

Em direcção ao impossível, para sempre, até que a eternidade congele,

Até o universo se cansar de fazer existir e desaparecer e se apague de vez,

Um por um, como as infinitas janelas de um prédio na noite eterna…

Mas se as janelas do prédio são infinitas, nunca se apagarão todas,

Haverá sempre luz e o fim estará sempre à mesma distância

E nunca chegará realmente, mesmo que os meus olhos se fechem,

Haverá sempre alguém que crie um universo, algo, alguém,

Alguém que resolva o problema da quadratura do círculo.



07.03.2011



Turku



João Bosco da Silva

segunda-feira, 7 de março de 2011



Zen mode on


The shower,

All the elements together,

Touching my naked body,

Water, heated by fire,

Washing the dirt

From flesh,

Breathing flesh

Just feeling,

Just thinking

The water away.


Nothing more than

Warm water

Falling down

My body,

Illuminating

The skin receptors

Until the brain,

Wordless,

Just feeling,

Feeling together

With the universe.


Such a simple way

To be Zen,

Washing your body

And your mind away.



B.

sábado, 5 de março de 2011



O Prazer Da Dor


Enquanto o saquê se instala e os pés descalços caminham pela neve,

As palavras surgem aos gritos do vazio de onde não havia nada.

A verdade é o frio, a noite que nos rasga com todas as surpresas,

Os sorrisos ébrios e as pernas que se abrem para nos receberem

Num inferno gelado, onde as músicas da nossa felicidade serão

Acompanhantes dos pesadelos mais vazios e dolorosos.

A luz é apenas mais uma testemunha do que jaz apagado

Nos sótãos encerrados por medos e mentiras e todos os actos e escolhas

Não passam de mais umas cordas que nos puxam a vontade,

Os desejos e nos afastam dos sonhos.

Correr nu e quente do corpo acabado de comer, correr juntos

De encontro à escuridão, em busca de nada, só frio e a nudez crua

Da vida depois da ejaculação livre na tatuagem da serpente de cabelos negros,

Longe das rosas, abraçando o verdadeiramente venenoso,

Porque não vale a pena correr riscos pequenos.

Não deixem cair o pouco que dou da louça do meu possível amor,

Não deixem … e já está no chão a ser muito lixo

E é esse lixo que te ama, esse lixo que me faz humano e não me deixa

Cair no cansaço eterno que há tantos anos me tem seduzido

Com a sua pureza redutora, como os passos que marcam a neve

Que irá derreter e dos passos nada.

Não faz mal, já não dói onde os animais não sentem

E os meu filhos serão as minhas palavras desprezadas,

Os meus sonhos incompletos, os meus amores desfeitos

E as mulheres onde entrei e de onde saí mais pequeno, cada vez menos

Até ao infinito, até ao fogo do fim dos tempos pelos meus olhos dentro,

Já que me obrigaram a fugir de tudo o que quis fazer valer a pena

E a vida assim pouco vale.

Tão longe do Nirvana quando não sinto o aroma que me obriga à erecção

E ao estupro contra um muro no meio de uma rua de uma terra qualquer,

Tão longe daquilo que dizem ter sido, tão fundo na caverna

Da minha falsa verdade por esta rua gelada fora, cheio de pouco meu,

Cheio de saquê e de uma solidão a que muitos chamam felicidade.



Turku



05.03.2011



João Bosco da Silva

quinta-feira, 3 de março de 2011



Emptying cups


While the coffee

Gets cold, the world

Keeps moving

To the end of all,

Rushing to the endless

Moment.


Everybody

Is so sure of tomorrow

That makes me sick.

I´m just sure

This coffee

Will be cold soon

So I drink it

Before that,

Enjoying each single

Drop of it.


I don´t like empty

Cups, especially

When they´re dirty.


The Sun is shinning

Upon everybody

And everybody

Is like running from it,

Getting inside places,

Getting inside darkness,

Dry darkness, cold darkness

Full of tic-tac eyes

Without time to smile.


Ok, the coffee is over,

The cup is empty

And dirty, with this

Sugar memories

On the bottom

That I will have to wash

So I go out,

The Sun can´t wait

But memories are forever.



B.

terça-feira, 1 de março de 2011



Erro de Ser


«in the words of Goethe or Blake

Or whichever it was “The pathway to wisdom

Lies through excess”»


Jack Keroauc, in Big Sur


desculpem-me


Agora pergunto-me o que correu mal e tenho medo da resposta que encerro

Nos meus lábios cerrados, nos meus olhos que procuram uma distracção

Na paisagem, nos meus dedos que agarram desesperados uma salvação de carne.

Só não sei o que me salvou, já que eu vazio de sonhos e quando caminhava

Ia distraído olhando os pés, sem interesse pelo horizonte em frente.

Se houve culpa no mundo, foi apenas a culpa do meu mundo,

Do que eu criei, mas muito dele foi criado como um deus cria um mundo: sem consciência.

O que correu mal… perder algures o interesse pelo que fosse, porque tudo parecia

A eterna repetição de algo que perdeu a magia na primeira vez;

Dar-me conta, de que não vale a pena regressar quando quem regressa é um desconhecido;

Deixar de me importar por cada novo dia, sempre o mesmo;

Deixar de acreditar nas ideias vazias que me impuseram e me arrastaram,

Nas emoções, que dissecadas, não passam de fome, sede e cio;

Agarrar-me a momentos com todo o meu tempo possível e ficar de mãos vazias e só na escuridão;

Ter a consciência de tudo ao mesmo tempo, sabendo que não há salvação

E que quanto mais se quer ou mais se ama, maior será a dor, porque tudo é vida e a vida acaba.

Agora pergunto-me, se fechar os olhos depois de ter visto realmente e saltar

Para a perdição inevitável, agarrando tudo o que é possível agarrar na queda, é realmente um erro.

O que correu mal, foi não ter tido medo, nem durante um segundo,

Foi sentir que está tudo feito antes de chegar o fim e perguntar, E Agora.

O erro de ser foi quando cansado perguntei, Para Quê.

Deixei-me cair, gota a gota, desleixado, negligenciando tudo e todos,

Até o charco de sangue repugnar quem se manteve inocente,

Apesar da infelicidade que os anos acumulam no cabelo da gente.

Afastei o meu corpo de alma moribunda para longe do meu cemitério

E agora espero que o fim venha do seu atraso, para pôr um ponto final

A todo este ser sem mais fim.



Turku



01.03.2011



João Bosco da Silva

domingo, 27 de fevereiro de 2011



As simple as this


The difference between

A writer and that guy

Who says that

He could have written

It if he wanted,

Is just this:

The writer wanted

And he actually wrote it,

The other guy,

Well… he can just go

Fuck himself.



B.



I wish you turn bad, my good friend


I have very few friends,

Very good people

All of them

And I wish

They´ll keep that way,

Less one.


I hope he´ll

Learn to be

An asshole

Some day near

In the future.

He isn´t getting

Younger and

The world isn´t

Getting better

Or easier

For people too good

Like him.

I wish he´ll snap

And kick all

His sucking parasites

In the balls

Real soon.

It´s his time to bite

The world,

Because I know

That karma

Doesn´t work

On good people.


I wish you turn bad,

My good friend.



B.



Sonhos A Preto E Branco


Que cor levam dentro, estes que passam sem olhar, que dor

Escondem, que desejos os consomem, que fantasmas vivem neles?

Para onde levam os sonhos, se caminham de encontro à realização?

Que cor é a dos seus olhos, que se escondem dos olhares?

Não me dou conta e o sinal está novamente vermelho,

Não me apercebo e já outros ocupam o lugar dos que partiram,

Com outros tons das mesmas cores, longe dentro.

Alguém me sorri, mas não sei para onde me sorri,

Quase adivinhando a vontade de matar um momento

Neste mundo de solidão e medo, na dor consentida de mais uma derrota.

Quantos fartos deles mesmos, esperando a chegada da noite

Para se refugiarem em aromas alheios, em quartos de rumores húmidos,

Em desconhecidos infernos, em torturas familiares e reconfortantes…

Surpreende-me a forma como me diz Olá, a caixa do supermercado,

Conheço-lhe bem a cor, o tom do seu desespero,

Ainda sinto o perfume da mesma cor nos dedos

Que a noite me deixou, mas hoje só lhe posso oferecer indiferença,

Hoje não quero tocar ninguém, só quero olhar e passar

Até chegar a hora de encerrar o dia, fechar a porta e ter sonhos a preto e branco.



Turku



27.02.2011



João Bosco da Silva

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011



What humans do


Sex is so much simpler

Than love

And people always turn

One into another.


This is what

Humans do,

Turn iron into knifes,

Turn life

Into a living hell.



B.



The fear


I had a good job,

A decent car,

A place to live,

Money, friends,

A nice girl,

But then I threw it all

Away,

I ran from it,

I got scared.


I saw all my old friends

Getting married,

Having children…

Holy shit,

They are having children!

When did we get so old?

I saw all this sad smiles

While they were pushing

The baby stroller.

I noticed a shy light

When they start to get

Drunk and sincere.

They were tamed

And that scared

The hell out of me.


I ran from it all,

I ran away, I stop caring,

Just walking without a direction,

Just living as I always did,

But the years keep passing by,

I can´t stop getting old at all,

I can´t really run from it…

Can I?



B.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011



Expresso no Museu


Duas da tarde e um expresso na mesa a deixar de ser, a tornar-se eu,

O museu a ser memória e três ou quatro quadros que ficaram com um nome,

Outros nem isso, uma ideia vaga, retratos de gente que foi importante,

Gente morta e feia (mesmo que favorecida) encerrada em salões,

Uns dias cheios e outros dias vazios, com mais gente, que vive

Sem se dar conta da beleza viva à sua volta, fascinada pela obra

Que é quase imortal, quando o seu criador, um nome se tanto.

Duas da tarde e o sol cheio de ironia na rua gelada, na rua antiga,

Renovada a carne e sangue até ao fim dos tempos, cheia de cores

Que passam e desaparecem além das janelas, enquanto o expresso

Se perde dentro do abismo que não é tão fundo quanto parece, visto daqui.

Entra de olhos no chão, com um livro de arte num saco de plástico

Transparente, comprado na loja do museu, entra só com os seus cinquenta anos,

Entra como escolheu ser, um espectro grande do que foi, sem companhia,

Já foi bonita, vê-se nos olhos azuis escondidos pela fome da solidão,

Já foi desejada, mas aparentemente era demasiado boa para o mundo

E por isso ainda se senta ao fundo, num canto, com os seus anos a pesar,

Enquanto pede algo para o almoço às duas da tarde.

Deve ter cães, ou gatos, ou uma casa grande e vazia de gente,

Deve ter recusado muitos corações, porque não eram os certos,

Porque esperava alguém tão bom ou melhor que ela, usou para o que queria,

Esperou até ser demasiado tarde e agora é uma velha gorda e solitária,

Quase verde num canto enquanto espera que lhe tragam a comida,

Com o livro de arte aberto no colo e o saco de plástico vazio na cadeira ao lado.

Por alguma razão, dá-me impressão que ainda não saí do museu

E continuo a observar em silêncio, apreciando o gosto amargo do expresso

Que se dispersa lentamente, sem pressa, que são só duas da tarde

E o mundo é demasiado bom para mim, por isso abro as mãos ao que me oferece,

Sem medo, que nem todos serão telas pintadas num museu de uma cidade qualquer.



23.02.2011



Turku



João Bosco da Silva



Too real (blindness and fear)


Go away, she told him

From the start,

Right after their first

Kiss, outside the bar.

Go away, she said

Even when desire

Was melting her inside.


Stop, stop, she told him

Right after they started

Their first time together

On the kitchen table,

With the door open.

Stop, stop, she said,

While moaning,

Pushing him deeper

Inside of her.

Fuck me, she told him

When she was lost

But sincere,

Wet and tight but true.

Three times more,

Fuck me, fuck me,

Fuck me,

And in the end

She was scared,

Afraid of herself.


He should have known

That she was trouble.

He shouldn´t have gave

Her what she wanted,

Because she would

Refuse it (as she did),

Even when she wanted it.

She was afraid

Of desires and he

Was just one,

Too real for her.



B.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011



Lista de Compras


Uma frustração de caneta sem tinta,

Um grito mudo num pesadelo acordado,

Uma dor que não se sente, mas está,

Pesa e gasta,

Uma saudade impossível do fim do mundo,

Uma voz que diz que nos ama

Atrás de um muro intransponível,

Um sorriso constante de plástico

Com o desespero dentro,

Uma recordação que se esconde

Atrás de uma cortina fina,

Um nome disfarçado na pele tatuada,

Uma impossibilidade de solidão,

Um desejo inelutável de calar uma multidão

Que nos ignora,

Um vazio debaixo dos pés do corpo que grita,

Um amigo a quem confiámos o coração,

A quem confessámos todos os pecados

Que se afasta na escuridão de punhal na mão,

Uma vela que se apaga quando o silêncio

Deixou o quarto vazio,

Um apelo silencioso de quem não esqueceu

E só quis a nossa morte na sua vida,

Um olhar impossível nas costas de uma face insuportável,

Um cansaço que não vence os sonhos

Apesar de todos os poemas serem

Uma frustração de uma caneta sem tinta,

Uma dor inconfessável,

Uma fraqueza tornada visível,

Um fim que não acaba…



22.02.2011



Turku



João Bosco da Silva