domingo, 13 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Outro Aniversário
quarta-feira, 25 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

“Chasing Shadows” Enquanto Se Espera
Tudo fora do tabuleiro e nem se chora, a terra exige toda a humidade acumulada
Ao longo dos pecados, dos sonhos trocados por nadas que também não se levam
E o nome torna-se em tudo o que conquistamos, quando nem ele uma escolha nossa,
Mais um acaso, como poderia ter sido outro qualquer, mas fomos tornando-nos nós,
Com um cérebro com tendência para isto e para aquilo, para coisa nenhuma, para
Abismos e vazios, para ilusões e desilusões, esquecimentos e pesadelos recorrentes,
Vive-se concentrado no centro de um universo limitado quanto muito, pela pele,
Entre uns centímetros cúbicos onde se fabrica a realidade e tudo o resto
Que nos faz a vida tão pesada e às vezes julga-se o mundo uma grande encenação,
Tu o único, todos os outros um teste, talvez para averiguar se és merecedor da eternidade,
Como se a morte a recompensa suprema pela coragem de ter sido, uma minhoca,
O andar de uma hiena, a resistência das betalactamases ao esforço dos centímetros cúbicos,
E a vida mais vezes um bilhar de bolso, numa multidão de ensimesmados, narcisos
À espera da morte, à espera que o rio seque, que a tinta acabe, que as palavras
Deixem de corresponder a seja o que for, quando na verdade correspondem apenas
Àquilo a que as fazemos corresponder, coincidindo tão poucas vezes nos conceitos abstractos,
Por isso lágrimas e punhos cerrados quando nos falham, quando não chegam
E ejaculações quando já não valem mais que um gemido, um pedido, uma aceitação,
Sabes que te perdes a cada avanço, mas se não avanças, estás perdido num lugar que conheces.
quinta-feira, 12 de abril de 2012

Um Poema Sob Saudade Turca
Cortada pelos óculos de sol enormes, as tuas pernas cruzadas, até ver, lias algo que hoje
Daria outras recordações por saber o quê, e o rio esperava-nos, o dia dependia de nós juntos
Para se dignar a apagar a luz e nem sei quantas horas dura a eternidade, mas a que tu
Me ofereceste, tornou aquele dia num fósforo nesta vida cheia de vento e tantos nadas.
Enquanto o Sol se ia despedindo, também os copos de cerveja, de plástico, comprados
Numa tasca ali perto, os barcos rabelos para inglês ver, e eu e explicar-te com a língua
A história disto tudo, enquanto tentava escrever na tua pele poemas que só mais
Tarde tomariam a forma de palavras, muitas vezes antes de adormecer, as saudades,
E quem nos visse diria que não tínhamos vergonha nenhuma, mas se conhecessem
O brilho da vontade, achariam que a roupa estava a mais e que os meus dedos
Continham toda a minha vida, eu todo em ti, no crepúsculo à beira do Douro
E hoje os dedos só isto, a dor da tua ausência, tantas vezes só, na companhia de gemidos
Falsos, por favor a quem, pergunto-me, mas tu não conheces certos objectos
Que não acreditam no amor, não procuram ser amadas, exigem respeito de quem
Acredita nelas, pedem humilhação paga, claro que paga, nem um olhar seu é gratuito,
Sentem aversão pelo carinho e repugnância por quem as ama com sinceridade,
Oferecem-se à maior oferta, e acreditam que o seu valor é mesmo o da futilidade
Pela qual se vendem, e falo do amor que não foi amor nenhum, só aquilo que te dei
Sem tu me pedires, que foi todo, dei-me todo, esqueci-me do mundo quando
Tu a tornar importante apenas aquela esfera de Lolita Lempicka à tua volta,
Afinal o universo um tamanho definido que te rodeia e eu humanidade curiosa por explorar
Todos os seus segredos, mais uma cerveja e o horizonte já púrpura, acendes um cigarro
E os meus pulmões a desejar o fumo que acabaste de inalar, e tu a encher-me de ti,
Do teu fumo perfumado, quem sabe, se acreditasse, um pouco da tua alma, passa
Alguém conhecido e eu bêbado de ti sorrio-lhe, como quem foi apanhado num pecado bom,
Tu o melhor pecado das minhas migalhas de hóstia, contas-me um pouco do teu caminho
Que eu beijo com a minha atenção, e sonho que a eternidade é a tua presença
Quando ela é possível, por isso desculpa-me esta traição, este querer trazer-te comigo,
Tão longe do tempo, tão longe de ti, ainda respiras e isto deveria ser a carta que nunca
Te escrevi, a resposta à fidelidade da tua memória, tanto esquecimento neste mundo
Sôfrego de passar e morte. Sabes que faço parte deste mundo, mas sou dos que quer tudo
E quer morrer, porque tudo impossível, só a vontade, só um momento e as eternidades
São só a resposta que se tenta encontrar num poema, mas saudade, não responde a nada.
12.04.2012
Turku
João Bosco da Silva
quarta-feira, 11 de abril de 2012

Antes De Tomar Banho
Vou tomar banho, um duche rápido vá e já volto cheio de ressentimento e histórias
De amor eterno e hipocrisia, são só cinco dez minutos e já regresso a pingar,
A secar, livre do que o hoje me tornou, todos os olhares, todas as palmadinhas
Nas costas, os abraços dos amigos, dos amigos que, nem vale a pena,
Apesar de um herege, ainda guardo algum respeito à amizade, mas agora
Tenho que me ir lavar, ainda a tenho entranhada na pele, o seu cheiro,
Que a ela, só uma dor de cabeça de quem passou os dias a beber, já venho,
Só um momento de reflexão, na esperança que com a água vá um pouco de mim,
Alívio da minha presença desde o meu sempre, a luz também suja e a noite
Merece um pouco de respeito, sempre engoliu tudo, nos bancos traseiros,
Debaixo das mantas, em cima delas no descampado, tudo até clamividência
Da inocência das prostitutas, de dentes de rato, mas agora, um duche
E acreditem que é mesmo, não costumo mentir desnecessariamente, só quando
Me calo, só quando engulo, ou acendo mais um cigarro evitando certas presenças
No meu olhar, a chama na projecção que consumo, num prazer mórbido, mas já volto
Para acabar mais um poema, tão desnecessário como muitos outros, mas esses
Ainda dizem que vivem, que vida, o poema só consequência de o sentir e dela a passar.
11.04.2012
Turku
João Bosco da Silva
terça-feira, 10 de abril de 2012

(Des)convencimento Dos Deuses Menores
Vive-se tudo para se perder tudo, aceita-se sempre com uma ilusão de eternidade
O que o nada nos empresta e depois, desamores, ódios só por mãos mal
Habituadas ao corpo de alguém que nunca mais, distâncias mais fortes que a vontade de
Um abraço, olhares que escondem nada mais que uma curiosidade, seja ela qual for,
Todas as cervejas que adiam mais uma ressaca, mais um dia perdido como todos os outros,
Por isso, ao menos passar por ele como quem perde, sem querer saber, porque mesmo
Querendo saber, se perde, deixa portanto chover, lava-te do que te tornaste e não és tu,
Sorri aos para sempre como quem finge acreditar, sem se esforçar e continua
A caminhada sem sentido e sem deus, perdido de tudo menos de ti, condenado à tua
Companhia, mesmo quando é a companhia dos outros que te empurra para o suicídio
Quando o vazio que eles fizeram questão de escavar com as suas promessas
De momento, continua a esculpir a tua forma num pedaço de madeira, enquanto
A vida arrefece, e prepara-te para um brilho mais pálido que o das estrelas,
Também elas vivem para darem tudo ao que vier e o que vier será sempre algo que não tu.
10.04.2012
Turku
João Bosco da Silva
segunda-feira, 9 de abril de 2012

Golden Shower
O tédio exige, mija-me em cima, a sério, claro, tu é que pagas, a bênção
Quente a tonificar a líbido esfomeada, semanas sem um verso, sublimação
A ganhar ferrugem nas articulações dos desvios, um certo brilho
A amor, mas no fim, acaba-se sempre o tempo, insert coin, sempre assim foi
O divertimento, desde que mais uma moeda no bolso, olhares apaixonados,
Tu o maior de todos, o único, mas vem-te rápido, a vida tem mais clientes
À espera, por isso se evitam os beijos na boca, desaperta-se o cinto,
Baixam-se as calças e esquece-se a vida num momento, a mulher em casa
A ser fodida pelas telenovelas, com o útero a mirrar enquanto se
Fertilizam indecentes bocas, o tédio exige, o tédio é o dono da vida,
E quem pode pagar ao tédio, faz valer a vida a pena, dá-me mais um beijo,
Não, já acabou, já não te conheço, já não me conheces, ainda não lavaste
O sal do meu calor, mas é assim, também não espero lembrar-me do teu nome
Enquanto estou a ser digerido pelas tuas entranhas, perder-me no labirinto
Da tua alma prostituída, entre uma chuva dourada que mal alivia este tédio.
09.04.2012
Turku
João Bosco da Silva
quinta-feira, 29 de março de 2012

A Confusa Lucidez Ao Acordar
Só tenho um dia de cada vez, não sei como esperam de mim eternidades,
Amanhã cá estarei se estiver, ou outro com quase a mesma cara, se calhar
Mais umas dores, menos para viver, a perturbação dos sonhos estranhos,
Em casa da avó, antes das renovações, partilhando com um escritor velho
Uma jovem de dezoito, que conheci acordado numa noite de Verão
E quase me oferecia a virgindade, mas só tinha aquela noite naquela noite
E tudo o que não agarrei, lá ficou, o medo a clamídia, na barba
Do velho, depois de tanta prostituta e mulher abusada pela vida,
Ele que as tentou consertar com o seu caos de porta sempre aberta,
Naquele mesmo quarto onde desenhei orgias, com golden showers,
Antes de saber o que golden ou showers, aos cinco anos, que me levará
Ao inferno, disse-me a minha mãe, por isso, que esperam de quem só tem
Um dia de cada vez e o inferno certo antes da primeira comunhão (?),
O quarto cheio de santos e cheiro a gente, o penico debaixo da cama,
O sonho sem cheiros, só o sabor metálico da carne fresca, a confusão
De estar sem saber como, nem por quê e a sensação de ser um sonho,
Por isso, mergulha-se na perdição que os dias não permitem,
O velho morto, muitos dos dias as primeiras palavras do dia,
As últimas palavras da noite, ajudou-me a perceber que tudo o que temos
É para se perder, ou não seria verdadeiramente nosso,
Por isso se perdemos, é porque um dia tivemos, ou a ilusão,
Mas tudo uma cambada de loucos sem diagnósticos, de viciados
Em drogas não rotuladas como tal, deuses donos de todos os dias
E eu que só me sinto dono dos dias que perdi para sempre, que foram todos
Os que passaram por mim, não passo da tentativa de os trazer comigo,
E nada mais me interessa de verdade, o meu mundo é suficientemente
Frágil para me ocupar todos os segundos, um malabarismo de cristal,
Tu sabes, se não sabes, não te vou exigir nada, por isso, não queiras
Que eu compreenda o mundo, chega que me deixe passar nele
Um dia da cada vez, os sonhos são meus, as recordações vou pedindo
Emprestadas à eternidade que tudo me engole e agora vou ler o que o velho me diz.
29.03.2012
Turku
João Bosco da Silva
quarta-feira, 21 de março de 2012

Palidez De Um Black Label II
O Johnny Walker Black Label adia-me os sonhos e continuo numa insónia
Forçada, contra a violência de piercings em mamilos, beijos alcoólicos,
Pelas ruas vomitadas, que descongelam e a vida parece ter passado pelo pior,
Resta apenas o fim, os abraços demasiado barulhentos, as despedidas
Num olá, as mensagens (quero-te foder os miolos agora,
Mais uma) à beira do colapso no sofá onde se tenta encontrar
O sentido a tanto ridículo, tanta prostituta barata, pega paga com humilhação,
Tanto vendido à troca de um pouco de menos ele eu, nele tudo, o cansaço
Até à despersonalização, a garrafa de vinho respira, os avós asfixiados
Com tradição e sete palmos de terra nos olhos, apenas recordações
Nos nossos cérebros de donos imortais do universo, por isso engulo
À deles, um pouco mais de menos eu, por isso tento aliviar a presença
Metálica sempre tão perto do outro lado do pescoço, só tenho por companhia
Os cães, os bêbados são apenas outras versões do que não sou, mas poderia
Ser, mas o que poderia ser não é e interessa como todos os convites
De pernas abertas, enquanto a primavera chega nas asas das gaivotas
À beira dos lagos que descongelam e permitem o peixe fresco, como as ratas
Bem aparadas, bem bebidas, quase uma submissão insensível
Enquanto se equilibra um orgasmo nos joelhos pouco crentes em ejaculações
Em vazios, mas és tu Black Label, com as tuas intenções de liberdade
Aprisionando-me num não eu, apresento-te os pulsos, reconheço a minha culpa
Na vida, nunca fui capaz de tornar a ideia da eternidade numa realidade
De cadáver inerte, ao abrir uma porta há dias fechada e o cheiro
A merda e silêncio, a vida só merda e sabemos, no fundo, que não
Merecemos a vida, nunca antes de não sermos, fizemos nada para
A merecer, tal cruel privilégio oferecido à impossibilidade que se torna e é,
(Bebe pequena, bebe, deixa a noite tornar os teus sonhos pecado,
Deixa-me ejacular nessa tua ilusão de santidade prostituída, ser mais uma mentira,
Quando tudo cedido ao poder, por poder, é prostituição),
Abraço por isso a morte, como todo o anti-poder, abraço-a cobardemente,
Como se abraça uma ideia pela qual outros morrem, morreram,
Beijo-a lentamente e os seus lábios são os teus dourados lábios negros,
Tudo tão obvio quando não há Sol, tudo tão simples quando a noite
Esconde a pobreza debaixo de papelões, o frio em demasiados goles,
Carne faminta que se torna demasiado barata, em casas caras,
Desconfortáveis no seu conforto de plástico, metal e fibras sintéticas
E nem o amor de carne, um medo plastificado, uma vida recusada,
Porque se quer só brincar às mortes pequenas, sem comprometer
A irresponsabilidade de se poder estar só até à morte, quando na verdade
Vive-se só, e só na morte, se encontrará a igualdade que se procura,
A aceitação do infinito durante a eternidade, o irrepetível.
21.03.2012
Turku
João Bosco da Silva
terça-feira, 20 de março de 2012

“O Que For, Quando For, É O Que Será O Que É”
Tenta-se registar o esquecimento de mais uma noite, mais uma visita ao paraíso
Dos inconfessos, mas só resta como prova o cigarro que os lábios vermelhos
Enrolaram, no bolso do casaco, os lábios que repetiam como se um olhar,
Silenciosos, quero-te, quero-te, fica esta noite comigo para te perder para sempre,
Entre o cabelo a improbabilidade do perfume que se quis levar para os sonhos,
Uma sede de excessos numa boca que parece ter sido incendiada na noite anterior
E foi, lábios em brasa de uma boneca de porcelana imperfeita, nos pulsos
As cicatrizes de uma dor que mais ninguém compreende. Mais uma oração
Engolida da lata de cerveja, pedindo a bênção do esquecimento, entretanto
Os lábios vermelhos desenham no ar promessas de pele húmida, suspiros,
Espasmos, aniquilação gratuita entre paredes estranhas, com o DJ de boxers
E um chapéu à Davy Crockett, passando músicas que ainda não foram criadas,
O surrealismo da realidade no paraíso dos inconfessos, as noites esquecidas
Que se tentam registar enquanto as recordações areia por entre os dedos
Que escrevem, e perguntam, para que bebes, se te perdes, se não trazes
Nada do que levas, para me perder, para brincar à vida na vida,
Também as mãos de terra encerram a noite das noites, o esquecimento
Das mãos vazias, sobre o peito, mas no coração já nada, coagulado o poema
Do que se esqueceu, outras noites como outras vidas, outras cervejas,
Olhos que falavam como os lábios vermelhos, as mesmas promessas
Noutra língua, o mesmo significado todas as promessas, o esquecimento.
20.03.2012
Turku
João Bosco da Silva





