
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

The sewer
The sweet childhood
And all the moments
That made us
As we are now,
More or less.
Like that time
When I stayed
Inside the classroom
The whole morning break
In second grade,
Because I was afraid
Of been beaten again.
I was afraid of
Those two kids
From the six grade
That once spanked me
On the way home
And tried to throw
Me in this open sewer,
On a rainy day.
Some old lady,
Who I´m sure
Is dead by now,
Made them run away,
Before I was thrown.
I wanted to pee so badly,
But I was scared
And so, I just did it,
Slowly, silently, painfully,
In my pants,
While I pretended
To be reading something
From a book.
So now, when I´m afraid,
I don´t give a shit anymore
And I just go for it,
Because in the end
The result will be
The same.
B.

O relógio parado na parede da gente abandonada pela gente e pelo tempo, naquele andar na cidade grande, antiga, velha, não me dói nem metade nos olhos de dentro do que doeu o cão abandonado nesta aldeia há muitas vidas atrás, com um olhar a pedir morte, com chumbo no corpo escanzelado até não poder mais com o peso por causa do sangue que perdeu, até aquele palheiro escuro, sempre de portas abertas para quem quiser ir morrer ou fazer pela vida. Agonia em olhos castanhos que se tornavam líquidos nos meus, agonia em olhos castanhos de cão a sentir-se além dos meus feios de gente, ainda gente, esforçando-me por manter dentro o estado que dentro, líquido, como o que a vesícula biliar reserva, como se nos olhos, como se os olhos a engolir em seco, com uma garganta mais seca que o pó do caminho, hoje. Deus não sabe o que chorei naquela noite, porque deus não sabe merda nenhuma, se soubesse existia e poupava pelo menos os cães à crueldade dos homens, dos que vem com a enxada para acabar com o trabalho.
Ide para casa garotos que eu trato disto.
Como se disto em vez de dele. Filho da puta, que lhe quis matar os cães todos, sem culpa eles, mas também eu humano porque nisso me tornaram. Filho da puta que não me poupou à enxada a entrar pelo palheiro e eu criança, conhecendo a morte das moscas, das galinhas a caminhar degoladas, do sino quando tocava e era menos uma pessoa que se via pela rua, não me poupou a um ganir sem vontade, um crânio a estalar e um cão morto, mais um isto. Hoje coitado, o filho da puta que nem com o cão aos pés dele lhe acertaria, tão velho e com os seus cães mortos da tinha, os filhos longe, a mulher que tem engordado tanto que já não lhe chega, nem mesmo se a enxada se levantasse e um crânio de cão que não faz mal a nada, quanto mais a ninguém. Não me pouparam às misérias, por isso nunca me senti especial: especiais são os ignorantes que cresceram dentro de paredes de algodão doce, sem janelas para a miséria, às costas de um nome, de um esforço que nunca tiveram que fazer, quase irreais. Pode não lhe vir uma enxada aos cornos, depois de uma caçadeira lhe crivar a carne de manias, mas a gadanha é para todos. A bilirrubina sérica a pôr amarelo nos olhos da gente. Não choro: já passou.
João Bosco da Silva

Palavras Num Quarto Vazio
a quem me quis morrer,
E o fim, pouco mais é que isto, que o agora, mas que dura inconscientemente,
Sem se sentir, como um cadáver levado pelas águas de um rio infinito,
Um rio chamado fim, eterno, escuro em linha recta até ao fim dos tempos.
Se soubesse antes de poder saber coisa alguma que isto seria assim,
Que eu seria um monte de palavras dentro, com um homem pequenino
Na cabeça, no coração (dizem alguns), a tentar dar-lhes um sentido,
Dar-lhes um significado, uma justificação além de hormonas e neurotransmissores,
Neurónios cansados das noites até à noite e do álcool até tudo deixar de fazer sentido
E não me importar com isso, preferia ser uma pedra desde o princípio,
E passar a eternidade até a erosão se cansar e perceber que não passo de uma pedra.
Tantos sorrisos perdidos nos sonhos frios, tantas palavras não ditas no silêncio
Da distância, tanta carne evitada sem razão, só porque uma ideia a ser mais importante.
Que ideia pode ser mais importante do que algo que nos cabe num punho fechado?
Não se acredita no que se procura, por isso nunca se encontrará, passa-se
E nem se vê, às vezes porque parece demasiado fácil, outras porque não vale a pena
Se é tão difícil e a vida continua sem um sentido, sempre em frente até ao rio fim.
Se os cães ao menos três cabeças quando chegar a minha hora, ou algo pior,
Mas algo, pelo menos algo, porque isto soube-me a tão pouco, soube-me a quase,
E saber a quase é pior do que saber a nada. A vida parece uma amostra
De algo que não existe além da vida, uma provocação do acaso, um beijo que fica
No canto da boca a latejar durante anos, um quase orgasmo, pequenino, apressado.
Tanta alma perdida, sem alma, corpos convencidos de que uma salvação qualquer,
De uma forma qualquer, sempre sós, sempre com medo, sempre em busca de outro,
De alguém para partilhar um momento no crepúsculo, um pedaço do que têm,
O corpo, uma pausa na dor, a própria dor, porque no fim irá sempre doer,
Alguém irá sempre sofrer, quem vai pode ter sofrido, pode continuar a sofrer,
Quem fica sofre, ou não quer sofrer, ou não consegue porque está vazio.
E o fim, será pouco mais que isto, ou pouco menos que isto, menos uns olhos abertos,
Um corpo que se move, uns sonhos que aborrecem o presente quando trazem o passado,
Ou um passado que podia ter sido, mas não foi e agora não vale a pena nem sonhar,
Uma ligeira dor de cabeça, os sons da escuridão no quarto silencioso, o som da água a correr
Algures, ou o sangue a fazer eco na almofada da insónia, pouco menos, pouco mais.
17.02.2011
Turku
João Bosco da Silva
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sex lies
Someday, just another day,
I was with this girl
Who I used to fuck
And I was a bit tired of her.
We were doing it.
She had her eyes blindfolded
With a black stripe.
I love you, she said,
So I turned her backside to me,
And I did her doggy style.
My friend silently
Opened the door,
Came inside
And then we switched.
I love you, she said,
My friend winked his eye,
Smiled and fucked her harder.
We switched again and he left
The room,
I finished the job
Somewhere inside of her
And she never noticed
The switch.
She uncovered her eyes
And looking at mine
She said again, I love you.
No you don´t,
You love cock,
And she slapped my face.
Never trust the words
You hear when you fuck.
B.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Something as Love
Sometimes, people ask me,
What have I seen in you,
And I just say,
I saw that you
Have seen something in me.
Truly, I like the way
She says, I love you,
Without expecting an answer,
Secure, sure, natural,
Just like that.
I like when she leaves candies
On her pillow when she is gone earlier,
And I don´t like candies,
But I like her.
I like the way she asks me
For a hug, with her arms ready,
Giving no chance for a not now,
And I like when she gets mad
With little things,
Just to make me stand up
And help her.
I know she could do everything
Alone, but she doesn´t want to,
Because she wants me near,
Even if I make everything harder.
This is what I have seen in her:
Her eyes on me.
B.
sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pausa Para O Café
Há pausas longas e outras que nem por isso,
Mas não deixam de fazer falta.
Há quem abrace com as mãos a chávena gigante
De café americano e há quem brinque
Com o açúcar que ficou no fundo
Da chávena do expresso,
Ainda com o seu gosto na boca.
Há nos gestos mais banais uma desculpa
Silenciosa para parar,
Para olhar à volta, ver as pessoas
Que partilham do mesmo cansaço,
Cada uma por si, cada uma com uma chávena diferente,
Uma pressa diferente,
Um compromisso diferente que se tenta adiar,
Com mais uma pausa, mais um café.
12.02.2011
Turku
João Bosco da Silva

It´s a scary world outside
I can´t wake up anymore without help,
I need the alarm,
Somebody touching me,
Turning on stuff,
The TV,
The radio or myself.
It´s hard to wake up
When you hardly fell asleep,
When you know that
Next morning
All garbage will be away,
All the streets will be clean,
All men will be shaved,
All women will be perfumed
And with makeup again,
All the fake smiles,
All the bombs near to explode,
Will be back for you,
For your loath, to make you feel sick
With this plastic world,
Falling apart all day,
To be back next morning,
As if nothing had happened.
Empty trash cans,
Clean pussy,
Dead people in bags,
Dead people walking.
It´s a scary world outside,
And at least,
I own my dreams.
B.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quando É Tarde Antes Do Fim
O interesse está dentro das mão vazias, que te pedem a carne,
O sangue, a dor amarga do anoitecer frio, dentro de uma caixa demasiado grande,
Quando o mundo acaba a cada segundo que caí no poço do vazio,
Para dar espaço ao que cresce antes de cada passo dado.
A morte é apenas aquela palavra que se sabe que é mais que isso,
Que é a única palavra real que não se sente e a vida é o que permite tudo o resto,
O possível e o impossível dentro de quem nem sempre sente o chão,
O amor é daquelas palavras como deus e não passa muito de mais um punhado delas,
Inúteis explicações as dos homens para as suas ilusões infantis,
Quando a sua fome é só uma e o tempo passa e o corpo deixa de ser cada vez mais.
Um dia, não interessa que haja aqui gente a lembrar aquilo que fomos dentro deles,
Porque nunca fomos aquilo e é uma afronta reduzir um universo a uma ideia,
Um nome e meia dúzia de sorrisos partilhados em noites duvidosas,
Beijos ácidos entre o beijo e o futuro, orgasmos falsamente arrependidos,
A uma saudade egoísta, que não passa de um: eu queria-te aqui, agora que já não estás,
Agora que não podes fazer nada, que o teu sangue frio e o meu corpo esquecido do teu calor.
O perdão quando é demasiado tarde tem um sabor a mórbido e ridículo,
A falso, a prostituição, amor em troca de morte, lembrança em troca de perdição.
O interesse está dentro das mãos vazias, tão brancas ao luar frio de uma noite de Dezembro,
Onde nascem tantas mortes antes da real, sem se perceber a subtileza do último suspiro,
O último olhar quente, o último vibrar e um adeus dentro, silencioso,
Quase escrito na pele que as unhas tantas vezes rasgaram e os passos levam tudo,
Para onde tudo vai, de onde tudo veio, do silêncio que um dia foi cortado por um choro,
Por um olá, por uma música que tantos outros gostam, por um sorriso, um olhar, um poema.
11.02.2011
Turku
João Bosco da Silva

Something about Pereira
There is this guy in the bar
Always with a glass of cheap wine,
Always drunk,
With his rubber boots all seasons,
Lost inside of himself,
Repeating always the same,
Living his nightmares silently,
Moaning sometimes,
Dirty, but shaved.
Sometimes he sleeps outside
On the street,
On the floor, alone,
Like a dog without master,
Drunk.
There is this guy who was
In the war, fought for the country,
Big crap to fight for,
And now the country
Sees him as a joke.
Younger man
Look at him as a broken, old toy,
Pay him drinks to watch him
Fall from the bench,
Take his hat away,
Hide his food, his few belongings,
And laugh like that was a funny thing.
There is this guy with no wife,
No children, no real friends,
A ruin, a memory,
Far away from the bar,
Far away from the younger guys
Around him, at midnight.
While this guys are laughing
At his misery,
Their friends are banging
Their wives,
Their daughters are blowing
Some cock inside a car,
And they may never live
As long as this old guy lived.
There is this guy in the bar
As free as a man can be,
With nothing to lose,
With nothing to prove,
Lost in his own world
Because the outside world
Has fucked him enough.
B.

Who will be the last one?
Who will be the last one,
The last to cry,
The last to laugh,
Crazy,
The last eyes on Mona Lisa,
Before it´s erased forever,
The last knowing the word Love,
The last not understanding it,
The last language,
The last broken dream,
The last sigh before the last?
Who will finally kill god,
Taking Him to infinity,
The last to believe, or not,
That this had no meaning?
Who will be the last face
Touched by the Sun,
Before it hits the ground,
And won´t have the chance
To be buried?
I won´t,
Even so I will
Die alone.
B.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

This is a sad crowded world
This is a sad crowded world
With sad crowded people
Scared, lonely, suspicious,
Desiring a hand,
With a closed hand full of nothing,
Running to get nowhere,
Where everybody goes.
And then it´s to late
For receiving a hug,
Open arms, open hearts,
Clear of fear, killing loneliness,
Because death
Is cold enough.
B.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Confissão De Um Viciado Em Melancolia
Desisti de ti, sem saber, quando lhe abri a porta, quando ela entrou,
Quando te vi longe, distante e impossível nas noites quase frias,
Além das brumas cinzentas de um futuro incerto, um esquecimento adiado,
Uma quase derrota, uma resignação por um mal menor
E ela entrou e a noite engoliu-nos aos dois e é triste ter pensado em ti,
Como uma despedida de tudo o que poderia ter sido, se tivesse encontrado o teu olhar,
Aquele que me cativou, aquele que te ofereceu a mim.
Nunca deixei de ser sincero, mesmo quando a pele me falava mais alto
Que a razão, nunca deixei de olhar até ao fundo de ti, nunca deixei de te procurar,
Nos sonhos, nas ruas desertas, nos quartos vazios, nas noites frias e escuras.
Queria lembrar-me do teu perfume no meu corpo, sentir a irresistível força
Que em ti me atrai, sem eu perceber porquê, uma fome animal,
Uma sede vampírica da tua carne nos meus lábios, de uma marca minha em ti.
Sabes que a vida não é feita só de derrotas, de desilusões, de medos e sonhos,
Sabes que a vida não é um filme, os filmes é que são partes de vidas
E no final, todas são dramas, todas acabam em lágrimas,
Algumas porque só restam aqueles momentos que as fizeram valer a pena,
Longe e impossíveis do lado do agora para sempre,
Todas valeram a pena, todos os sorrisos, os olhares, as carícias, a dor, a dor.
Porque eu sei, eu sei que fui eu quem lhe abriu a porta,
Só porque a tua estava encostada, e tu lá dentro, com medo ou vergonha,
Um cansaço que foi culpa da minha fome incontrolável,
Esquecido de que tu não eras ainda fruta madura, apesar da aparência apetitosa,
E na boca levo um gosto ácido. Sempre gostei da acidez e do sabor das lágrimas.
Desisti de ti quando te vi tão longe ao meu lado, quando te tentei tocar
E te dissipaste como uma bruma, um sonho no fim, que a luz da manhã sopra para o esquecimento,
Umas costas sem rosto, um riso que não conhecia, uma força contraditória,
Um ódio sem destino, uma cor que se esqueceu e era vermelha a chama.
E agora… agora, somos menos do que fomos antes de sermos juntos,
Desaparecendo aos poucos, ficando uma mão de recordações, um nome,
Um aperto no peito desde longe, uma distância mais longa que o espaço,
De tempo e ao passado não se poderá regressar nunca mais.
Turku
08.02.2011
João Bosco da Silva
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dentro De Fora
Tantos, perdidos dentro dos seus sonhos e medos, com os seus horários
A marcar o passo, sem tempo, sem vontade que os leve, só uma obrigação,
Só um porque sim, porque tem que ser, que na verdade nem tem que ser
E o filme continua, com tantos actores principais, cada um por si, todos sós
No papel que desempenham pelas ruas desertas, cheias de olhos que se cruzam,
Uns quase se tocam, quase se falam, não fosse o peso de tantos outros.
Um café, expresso, espero, esperam que seja assim que espero, mas não,
Demasiado intenso, demasiado amargo o sabor que fica na boca,
Preço demasiado elevado para algo que quase não se sentiu,
Perna direita sobre a esquerda, casaco na cadeira ao lado e algo melhor que o expresso,
Um momento onde, no fundo da sala, o centro, silencioso, um mundo pequeno,
Paz e olhos para fora, uns minutos fora com um gosto amargo dentro, o de sempre.
Alguém bebe chá com a sua mochila, com o seu olhar cansado de quem andou muito
E viu demasiado depressa e o chá é o mais barato que se pode beber num dia tão caro,
Quase que se lhe adivinha a idade mesmo de costas, desde sempre para ela.
Ao fundo a cara fina de nariz comprido de um francês que me olha, como se encontrasse
Num estranho um conhecido, também eu, mas afinal nem eu, nem ele francês,
Quando passa com a sua ruiva de alemão na boca, e desaparece para um mundo desconhecido.
A morena, com olhos rasgados e olhares entre cruzar e entrecruzar de meias pretas,
Que apertam a sua essência e a vontade do seu olhar, que procura o meu
Tão longe que a olho quase distraidamente, quase vinte, ainda cheia de sonhos,
De risinhos altos e despreocupados, tão longe, a três mesas de distância, a vidas de inferno,
Paraíso, cansaço, excessos e tédio, lucidez insuportável, embriaguez suicida,
Morena com uma melhor amiga de sempre até ao fim do ano, se chegar a tanto, loira,
Desinteressante se não se pode encontrar o olhar, muito pálida, excessivamente pálida,
Um fantasma como os que me acompanham sempre, mulheres que foram empalidecendo
Enquanto eu me tornei amarelo, quase verde, um dia verde, um dia invisível.
Quatro vezes dez sentadas com gestos sofisticados e mecânicos, perderam a naturalidade,
Mesmo quando levam a chávena gigantesca aos lábios, não sabem florir, não mais,
E escondem o olhar de tenros anos atrás de óculos com armações grossas de cores berrantes,
Que memórias lhe restarão depois de tudo, depois de tanta dor, tanta felicidade que nunca dura,
Tantos anos que passaram (passariam elas por todos), filhos que lhes roubaram a vida que tiveram?
Sentadas todas senhoras, agradecem-lhes as filhas os filhos e os filhos as filhas
E a vida continua enquanto houver vontade de entrar e que se lhe entre,
Mesmo num café de arte, onde tudo é o início longo de um filme pornográfico abreviado no cerne.
Os quadros tornam o ambiente quase vivo, não fosse o piano silencioso do outro lado,
Os quadros sentados, cheios de cores, vivas, frias, quentes, apagadas, cansadas, cheias, vazias, esquecidas…
Podem viver-se vidas, sentado num café de paredes brancas às quatro e meia da tarde,
Com o rio Aura a passar por baixo dos olhos, lá fora, trazendo memórias de dias verdes e quentes.
Mas a vida passa-se entre os passos até chegar além, seja lá onde for, não interessa,
Chegar além é o que nos leva, o além já lá está, parado, à espera ou não.
Não muito longe, constrói-se uma ponte, mais uma ponte e sabe bem ouvir a vida,
A música mecânica, simples, que nos passa por dentro e se complica, sobe e desce.
Quase que não se existe, quase que não se sente o cheiro nauseabundo dos alcoólicos
À porta da mercearia, quase que não se lê nada nos passeios, quando os olhos tão longe,
Lá no fundo, escondido dos olhares azuis, verdes, frescos, jovens e aparentemente felizes,
Escondido do Sol que nos querem oferecer, para depois nos deixarem a dormir na rua,
Enquanto o frio entra sem nos bater à porta e é mais uma, mais um risco, menos espaço na parede.
Tantos perdidos dentro dos seus sonhos e medos, dentro de cada um que passa,
Passo a passo, pela vida, pelas vidas que vão, para o mesmo lugar, sempre, sempre.
Turku
07.02.2011
João Bosco da Silva