quarta-feira, 20 de abril de 2011


Olá, Quem És Tu?


Ela diz que me conhece, que sabe que eu gosto de Nietzsche

Desde os meus dezasseis anos, que tenho Pessoa tatuado no corpo e na alma,

Que a cerveja e as mulheres são a minha fraqueza e a minha perdição,

Que o Homem-Aranha será o meu eterno amor, que a minha vida passou de moda

Há mais de cinquenta anos e que o que escrevo a faz cruzar as pernas,

Chorar e engolir o meu esperma… sinceramente, ela sabe mais do que eu.

Espero que me consiga arranjar uma definição que satisfaça

A pergunta que tantas vezes me faz rir: Quem és?



Turku



19.04.2011



João Bosco da Silva



Sweet Fucking Sixteen


She was sixteen and

She offered her ass to me

As a Christmas gift,

I didn´t accept it

For I was over 5000km away.

She used to fuck her

Art teacher

An over 30-year-old drunk hippie

And loudly even in a crowded bus

And called me devil.

Once she invited me to fuck

Her in the cemetery

But the only thing I gave her

Was a pack of cigarettes near the church.

After all I crossed the law,

But not the time I was passed out

And she rubbed her red haired tits

On my face, after she fucked

My good friend.

Somehow I miss her calls after

She had sex with her girlfriend,

But I´ll never forgive the time

She texted me she was dying

And in need of someone

To take her to the hospital

And then, sex sounds

And a stupid joke without wolfs.


I wonder if I had wasted my sixteen

Starting to write poetry,

Playing videogames and falling in love

With someone I will never taste.



B.

sábado, 16 de abril de 2011


Viagem Numa Guinness


Morri-me e nunca mais serei capaz de acordar numa manhã quente de Agosto

Em casa dos meus avós, não sem uma dor de cabeça e um olhar comprometido

E um relógio parado nas seis da manhã com as unhas cheias de terra e de alguém.

Os joelhos tornaram-se blindados e a cerveja deixou de se beber às escondidas

Quando todos dormiam a sesta: à luz do dia tudo perde o mistério e nem à noite

O cemitério tem gente, só mortos, espelhos do futuro de todos, pequenos montes

Sagrados (que é pecado, não pises) e flores secas, esquecidas e tantos nomes

No meu sangue que eu desconheço. Já não existe aquele que sorria sem vontade

De entrar na carne de alguém, mostrando um desenho colorido para o futuro,

Morri-me e agora restam-me palavras negras a dizer que poema e poucos olhos

No presente que me façam valer a pena. Se ao menos pudesse adormecer e acordar vivo,

Leve, mais eu e menos mundo, apesar de sóbrio, numa manhã luminosa

Em casa dos meus avós e levar as vacas ao lameiro da minha solidão sincera,

Regressar às lágrimas da dor física e da frustração por um brinquedo

Que não dormirá debaixo da minha almofada… o Sol brilha e tudo é negro.



16.04.2011



Turku



João Bosco da Silva


Amorror


És um glioblastoma e a tua presença é uma dor de cabeça que me faz vomitar.

O que sinto por ti é uma pressão intracraniana aumentada e nem todas

As agulhas do mundo poderão aliviar o que só o tempo vencerá: ambos.

Os nossos beijos são agora secreções biliares e um vazio que me quer abandonar,

Os olhares são penas e cada toque dói-me como um sismo.

Amanhã seremos lágrimas de quem julgava conhecer-nos e um luto

Inútil para o esquecimento. Ninguém nos ensinou que a realidade é mais frágil do que a ficção

E vivemos a vida na ponta de um bisturi que oxida.



16.04.2011



Turku



João Bosco da Silva

quinta-feira, 14 de abril de 2011


Confissões No Comic Cosmic Cafe

I.

Aqui me sento, engolindo a golos lentos a vida fria,
Lendo as paranóicas páginas de Kerouac, enquanto todos se riem
Em inglês e francês à volta das suas mesas, longe de imaginarem
Que a sete palmos do balcão eu me questiono:
Porque é que algumas mulheres me tentaram meter o dedo no cu?
Geralmente estou dentro delas, mas o que elas querem é entrar-me dentro,
Como se fosse uma vingança por todas as vezes em que morreram com o olhar
E um abraço apressado. As cervejas caminham à minha volta e as gargalhadas aumentam.
Se calhar, estou a pensar alto em dedos finos que me tentam violar,
Coisas do último tango e cerveja cor-de-laranja e a vida engole-se
E a porta abre-se e fecha-se e mais gente entra no copo sempre cheio,
Cada vez mais difícil de aguentar, sorrisos de joelhos à espera de um orgasmo
Aos oito anos de idade, seco, no palheiro de alguém,
Há mil e mais anos atrás, antes da invenção da palavra orgasmo.
Riem-se os olhos azuis que me tentam penetrar com as meias negras
E a saia demasiado curta antes do fim das nádegas,
Rio-me eu na caneta, porque ninguém acredita que perdi a virgindade na primavera
Dos meus oito anos nos bancos traseiros de um Mini branco abandonado numa eira,
Com o irmão dela no lugar do condutor a ver se alguém vinha
E vim-me eu, mais um orgasmo seco (veio-me o gosto)
Seguido de uma dor que acompanhava cada nova entrada e saída
E ela a dizer para não parar ou nunca mais e eu não consegui mais e nunca mais.
E Kerouac, perdido no seu Big Sur, olha-me com chamas nos olhos de Humphrey Bogart
Com os meus olhos no reflexo amarelo do copo de cerveja, enquanto a vida me bebe
E só a morte é inevitável, a vida não.

II.

Tanta gargalhada com um copo quase vazio,
Um velho hippie olha-me com os seus óculos oleosos
E eu longe, em Moçambique onde está a irmã do meu amigo Pete,
Que me fez rir às gargalhadas quando me disse que eu era
O homem mais bonito que ela já viu ao vivo, exagero de quem me podia
Ter metido o dedo no cu, mais uma, da idade da minha irmã,
Não fosse eu sentir-me ainda culpado por ejaculações
Em faixas negras, faixas brancas e sofás alheios em salas desconhecidas,
Por isso jogamos poker pela madrugada fora, enquanto a cerveja passava
Para o lado onde moram os antepassados, até a vontade ser de dormir
Com ela ao lado, com medo de mais uma vez eu todo língua e dedos
E ela toda um calor viscoso à minha volta. Aposto tudo,
Acabo com a cerveja num último golo gigantesco e espero
Que a promessa nunca dita naquela noite se cumpra
Em explosões azuis nas curtas noites do verão do norte.
Mais uma mão cheia de alguém que não poderei ser, nem ter, além de três
Ou quatro orgasmos, que depois se tornarão em adiamentos de derrota.
Tudo é uma mentira que se conta com seriedade e braços cruzados
Num café com uma cerveja à frente e a distância segura
Do que se é atrás da retina longínqua do tempo.

III.

Uma madrugada igual a tantas outras e eu com o mesmo passo
Apressado de Rimbaud e a (quase) mesma fome de experiências
E vida, até que um amigo de um amigo se senta no meu colo bêbado,
Me abraça como mais uma e me pergunta se eu quero que ele me chupe
E que ele costuma fazer isso com os amigos e álcool forte
E eu sinto-me impotente na impossibilidade de me dissolver no sofá
Até deixar de me sentir numa fobia que desconhecia, culpa da forma
Como todos na terra são machões ou simplesmente não era o meu tipo
E muito obrigado mas não obrigado, afinal há experiências que ainda não,
Que nem sei, o inferno já é meu, os mapas são inúteis neste lugar onde sou,
Mão no queixo e olhar vazio de intelectual, enquanto o sol ameaça pôr-se
Antes de um Domingo sem igrejas, hipocrisia e pão do que se cola ao palato,
O mesmo que provou o meu esperma embriagado,
Sangue de uma multidão de perdidos.

IV.

Os The Smiths, apesar de ter deixado de acreditar no amor
Desde grandes fogueiras, continuam a perseguir-me,
Abençoados e noites longínquas em cidades de estudantes,
Eu, um eterno, sempre armado em mestre de esfomeados por morte
E razões para continuar, sentidos injectados como doutrinas pouco sólidas,
Mais valem uns dedos além meias húmidas, sedentas de sumo quente
E doente enquanto a música se asfixia na sua impossibilidade
E um dia confesso-te o porquê do meu inferno, a razão pela qual nunca
Me poderás amar e não interessa, enquanto eu continuar a beber a vida,
Longe daquele verão dos dezasseis anos, de Hemingway e dos aviões
A tornar a realidade demasiado real contra torres longe de Tolkien.
Não pedi nada disto, não fiz nada por isto, nem mereço seja o que for,
Por minha culpa, minha tão grande culpa, não peço, mas desespero,
Por outra noite a olhar o tecto esburacado numa manhã de Domingo
Aos sete anos e meio, pouco antes do fim do mundo.


14.04.2011


Turku


João Bosco da Silva

quarta-feira, 13 de abril de 2011


Insónia De Um Jim Beam


Não posso ficar, nunca poderei ficar, mas entretanto, enquanto a hora

Não me empurrar para o infinito, empurro mais um Jim Beam,

Faço mais um momento meu, mais um gesto menos gesto,

Que a noite ainda mal começou e já cheira a aurora no ar húmido

Do verde da primavera e todas as horas que me são sou eu.

O copo vazio deixo-o cair, sei que nunca mais voltará a ser copo,

Serviu-me, nunca foi o que levarei comigo, cada vez menos eu,

Cada vez mais longe do olhar cheio de fome de tudo,

Quando não sabia que tudo, a cada dentada vivida, aumenta o vazio

Que se ganhou quando a inocência deixou de bastar para fazer o dia valer a pena.

Quando é que os outros se tornaram condição à existência,

Aqueles olhos que nos vêem de mil formas distintas,

Nunca a que trazemos dentro, porque tantas e nenhuma

E eu sou o melhor actor do mundo, cada dia finjo ainda ser eu,

Uma personagem desconhecida a cada nova manhã, ao meu lado,

Nem a sombra a mesma, diluída nas cores cada vez menos vivas do mundo.

Enquanto me agarrarem no braço sei que ainda cá ando,

Acorda, como se tivesses os olhos fechados, só cansaço, só uma vontade

De deixar toda a vontade, ser levado pela areia movediça do tempo,

Navegando neste corpo condenado, quebrando gelo impossível,

Saqueando povos sedentos de violações e abusos, em direcção à aniquilação,

Levado pelos ventos infernais do ateísmo, sem remorsos pelo que as mãos conseguiram.

Não sei quem pinta todas as noites o dia, umas vezes abusando em tons cinzentos,

Outras exagerando na violência contra os olhos cansados das noites alargadas

Até ao nascer do sol, como se houvesse medo de adormecer

E nascer outro, com menos olhos para a luz que nasce além dos montes.

Deixa-te ficar, deixa-te ficar tu que a eternidade não demora tanto,

Perde-te comigo num Kentucky que apenas imagino,

Perde-te comigo que tu apenas imaginas, longe eu como Louisville,

Longe eu em Louisville como em Bragança, aqui ou além sete palmos,

E a minha verdade nunca será a tua, nem eu conseguirei fazer-te ver

Pelos meus olhos, nunca os mesmos, sempre iguais, dias cinzentos, sol, demasiado sol.

As moedas espremidas da vergonha são lançadas sobre o papelão,

Preciso de dinheiro para adiar o inadiável, ir andando, como tu, como eu, como todos,

Com os passos descolados, com os bolsos cheios de liberdade,

Um olhar que não merece as caras amarelas, verdes, vermelhas dos que morrerão

De excessos, da gula pela vida, quando o estômago rasgado à nascença

Foi suturado com frágil linha de feita de vida, de sonhos e ilusões.

Todas as mulheres me parecem bonitas e merecedoras do título:

Razão para viver, mas a vontade vem do cérebro primitivo, aquele que a morte

Esquece e é igual para todos, por isso bebo mais um Jim Beam,

Rodeio mais um centro do universo enquanto a hora não me empurra para o infinito

E rasgo o tempo por momentos, paro, suspiro e acredito que por instantes

Alguém acreditou que sou, alguém teve a certeza de ser, mas não posso ficar,

A morte é uma ressaca fácil de suportar e dói mais a sua antecipação.



13-04-2011



Turku


João Bosco da Silva

segunda-feira, 11 de abril de 2011


Sucking Forever


Right now, she is mine:

Her curly hair

Around my fingers

Covered with her juice,

Her lips around me,

Me, inside her warm

Mouth, so many times

Kissed, much more times

Desired, her thin hand

Helping the rhythm

Until I explode

Inside of her and

Then she swallows

Me, all the possible futures,

Silently.

In few days,

Maybe a week,

She´ll be taking pictures

With her boyfriend

In beautiful sunny places,

Hugging, looking like

They are in love,

Like they own each other,

Like it is forever and true

And maybe it is,

In that moment.

I never took a picture

With her,

I don´t need to,

For me it is good and real

Enough,

Right now she is mine,

Right now is more real

Than forever.



B.

sexta-feira, 8 de abril de 2011


Walking Ice-Cream


I could lick her whole body

Like an ice-cream

On a summer day,

The blonde like some

Other blondes

I´ve tasted, but with

This yellow jacket,

Everything on her

A sunlight,

A lemon juice

In hell.

Fast steps, fast steps,

Touching eyes

Hidden souls

Ticking clocks to nothing

And probably

I will never see her again,

At least not with the same eyes.



B.

quinta-feira, 7 de abril de 2011


Duygu


em Barcelona,



Nunca estivemos juntos em Paris, mas senti-te em todas as ruas,

Cada esquina trazia-me a possibilidade de um reencontro,

Tão longe do tempo das noites quentes de Junho

No berço do meu país em ruínas, quando já duvidava do orgulho

Que senti até perder o sentido, duvidava de quase tudo

Menos da suavidade da tua pele, do sabor dos teus cigarros,

Do teu perfume Lolita Lempicka, que ainda hoje sinto o cheiro

A crepúsculos em varandas com o Sol a pintar o céu de tons laranja

E rosados os teus lábios quentes, com a tua saia fresca

No meu colo de pernas abertas e sede, tu sede, eu sede

E a noite toda o nosso recreio sem ilusões.

Nunca me pediste o que eu não te podia dar e dei-te tudo,

Entreguei-me à tua fome, sem me questionar, sem resistir,

E os barcos que eram partes de filmes passavam por baixo

Das pontes do Sena, ambos longe dos países que fomos,

Amantes sem perguntas desnecessárias, pois ambos seremos

Para sempre do mundo e das mãos que nos souberem tocar.

Cada edifício tinha a tua assinatura, a forma do teu corpo,

A textura impossível da tua pele, ou pétalas de uma flor exótica,

Todos os teus lábios desesperantes, sabor ou vício insaciável,

Toda, tu, o teu cabelo ruivo que tornava o Sol quente

E trazia à cidade o aroma das manhãs de Junho às quatro da tarde,

Diluindo o alcatrão vaporizado até ser possível o Rio Douro.

Um dia serei cabelos brancos, pó e gente nova que julgará

Que sou um armário feio e velho, com olhos cegos no presente,

Mas dentro estarás tu a fazer nascer sorrisos secretos

Longe de Istambul, longe do presente, naquelas tardes de Sol

Que nos cobriam com a noite, para que ninguém notasse

Que o desejo é mais forte que o tempo e torna momentos

Que passam, em eternidades pulsantes na improbabilidade do infinito.



07.04.2011



Turku



João Bosco da Silva

terça-feira, 5 de abril de 2011



Sem Sono Para Morrer


Enquanto a vida me traz mais uma história, mais uma que aparentemente

Não tem nada a ver com as que passaram e as que passarão,

Tento encontrar um momento nas palavras, que lentamente, escorregam do meu cansaço.

Sinto que o próximo passo me abandonará e me deixará ir de encontro

À terra, sempre fiel até à hora em que todas as histórias da vida

Se encontrarão numa eternidade cega e sem desilusões.

Alguém morreu há muito tempo e muitos outros agonizam debaixo do negro

Que despreza a primavera, mesmo que o verde arranhe a pele pálida

Das loiras de lábios rosados e mais quentes que a moralidade hipócrita

Dos lenços nas cabeças das avós e beijos nos anéis de dedos enrugados

E da cor da urina e das hóstias roubadas num Domingo de Páscoa.

Tento a vontade de uma cerveja, mas não consigo engolir a dor do cansaço,

Nem ir mais longe no quinto livro de Bukowski em pouco mais de dois meses

E por isso peço desculpa aos mortos que nunca me desprezaram ao mesmo tempo

Que me dá nojo ao pensar nos mortos que me morreram e nos que me mataram.

Os meus olhos não conseguem ser mais que tinta preta que torna palavras ilegíveis

Na sujidade de um poema, tentando limpar a vida, aliviar o peso de mais um capítulo,

Curto, mas com o tamanho de uma eternidade e a eternidade, seja qual for o seu tamanho,

É infinita, mesmo num grão de areia, nos lábios de um beijo, no brilho de um anel

Que sobreviveu cinquenta anos ou mais, como um reino.

Eu tento, eu tento, eu tento, mas os cabelos brancos assustam-me e são cada vez mais

E com isso, cada vez menos os anos, mais as portas engolidas pela parede do tempo,

Mas eu tento, nem que adormeça o meu coração antes de ter tempo de violar a morte

Com um excesso de vida descuidado, tento, mesmo sabendo que tudo regressará

Às raízes da vontade, enterradas no segredo do vazio.



05.04.2011



Turku



João Bosco da Silva

sábado, 2 de abril de 2011


A Day Like London In November


Today is like

London in November:

Sweet wind

Blowing wet air,

The threat of rain

In the air,

City lights

And young horny

Blondes on their

Way to bars

With much less

Clothes than

They should use,

Because it´s a bit cold,

Less inside their

Shaved amazement.

It feels like London

In November,

But the river

Is still frozen,

I have nothing

Waiting for me

In the saddest country

In the world,

I will not sleep

In a rotten hostel

And my mobile phone

Is quiet, forgotten,

As it should be

When hands smell

Like pussy´s juice.

Besides that,

Everything is like London

In November

Without homeless

Searching for a dry place

To sleep,

Without the illusion

That some chubby spoiled

Baby, deserves a shot

Of my hell´s magma

In her holy fake

Fucked by old crippled faces

Fat pussy.

I know I was told

More than once:

“Mind the gap”,

But I´m glad I didn´t

Gave a damn about it

And I made my way

Throgh all that crap.

I´m the devil,

Even if you think

You are bad,

You are just the way I made you

And I´m here,

In this day far

From London

In November.



B.


The Biggest Machos In Town Are Gay And They Don´t Know It


It is unnatural,

I´m quite sure it is,

That histrionic heterosexuality:

Scratching balls,

Hitting on all pieces of ass,

Ignoring their own wives

Or girlfriends,

Speaking loud about

Cock and ass,

While sucking bottles

All night long,

Spitting everywhere

That they have fucked

This and that, even if they didn´t,

Fighting each other for

No special reason (that they recall)

Going to whorehouses

With friends…

Anyway,

It is like a contest,

A loud contest

Trying to prove

Who is the MAN,

The biggest macho in town,

With the biggest beer belly

And man boobs.


When everybody

In town is heterosexual,

Near macho,

Desperate predators

Of self relief,

One should doubt.

This thing is mainly cultural

In places where

You can´t be the other way

And it turns it all

Sick, fake, desperate,

A violent frustration

They don´t understand.



B.

sexta-feira, 1 de abril de 2011


Bater Palmas E Sete Palmos De Terra Nos Olhos


As mãos nunca perdem quando a luz se apaga,

E os bolsos cheios de nada, pesam a cada passo no vazio,

Por cima de todos os cadáveres que são o que se é,

Caras pálidas quase desconhecidas com medo de rugas

E nojo a cabelos brancos, olham com olhos de eternidade

O andrajoso presente, escravo de passados e futuros incertos

Com a certeza no passo em falso que espera na verdade da hora.

(Mais uma chávena de café da cafeteira de alumínio

Que não pertence a nenhuma avó, só o aroma quase infantil

Quase perdido entre o tempo que nunca mais voltará

E o tempo que poderá nunca chegar a ser,

Longe, perto das torradas com manteiga e açúcar.)

O limite é tão visível nas mãos, o fim da individualidade,

O início da partilha, seja qual for, as mesmas para rezar,

As mesmas para derreter as entranhas de uma mulher,

As mesmas que lhe abrem as pernas e auxiliam,

As mesmas que levam a comida à boca,

As mesmas que fizeram o sinal da cruz na cabeça do afilhado,

As mesmas que limpam o cu e as lágrimas e a boca,

As mesmas que mataram, que foram sujas com sangue,

Merda, mijo, terra, vinho, folhas secas, morte, esperma, vida,

As mesmas que suturam e cosem as meias rotas dos filhos,

As mesmas que são necessárias ao fellatio do cigarro,

As mesmas que empurram o embolo para a vida e para a morte,

As mesmas que acendem e apagam o interruptor

Quando à noite se ouve um barulho e há medo,

Ou há só medo, ou solidão e um momento esquecido

Nas mãos, que nunca poderão estar cheias, nem vazias

E nunca serão mais que mãos, com o seu vazio

De infinito, as suas possibilidades para fins e nada.

(A vela está quase no fim e os aniversários felizes acabaram,

Não se batem palmas para as dores que vêm e ficam, não se batem palmas

Quando as mãos têm atirado demasiada terra contra caixões

De quem já nos espera na eternidade.)

Agarra-se tudo com uma vontade, com um desespero,

Com uma fome, que até parece que a vida é definitiva.



01.04.2011



Turku



João Bosco da Silva