sexta-feira, 13 de maio de 2011

Candy Shop
It´s hard to stand
The suns
Without cleaning
The RayBans
Before going outside.
Too many dull hours,
Heavy machinery
And clockwork
Meat and
Blood and
Shit and
Come to come.
Damned all the
Colors so painful
In my dressed soul,
All the rules imprisoned
In wet sweat panties
And skin too skin
And I have liters
Of words to spread
All over smiley
Pale faces, like
My uncle´s best schrimp
In the world,
Impossible at this time,
Somewhere in Paris
Creating art with pipes
As I finish this fast
To stand up
And talk with
The sun that
Was smiling at me.
We all have the same
In different cities,
Towns,
Villages:
Welcome to
The candy shop!
B.
terça-feira, 10 de maio de 2011

Saudações a Leopoldo María Panero
“eu que prostituo tudo, ainda posso
prostituir a minha morte e fazer
do meu cadáver o último poema”
Leopoldo María Panero
Leopoldo, sento-me nesta erva, uma árvore ao lado, outra ruiva que vale por
Todos os clones demasiado perfeitos, a ser deus com os olhos abertos e
Inconscientemente, faço o sol pôr-se com um sorriso irónico.
María, eles não sabem o que é ser tudo, mesmo o cheiro a ferrugem e pastilha de morango
Me faz perfume e gente e se fecho os olhos, um silêncio que não se vê,
Pés que nunca terminarão o passo começado, todos os joelhos em todas as igrejas do mundo
Por a razão errada e as orações não passam de gemidos invertidos
Antes do clímax enquanto se teme o fogo eterno.
Se houver fogo eterno, Panero, espero que haja (estando convencido que não, ardeu,
Arde tudo e no fim um carvão frio), espero encontrar-te lá, já que me parece que Espanha
Está demasiado longe e os manicómios são locais de trabalho para mim, que encerro o poeta
No cacifo sempre que me visto de anjo e agulhas e agradecimentos me chovem à beira do abismo
E o abismo é a ruiva que me escreve nas costas e acende estrelas verdes num deus que guarda
A loucura para os sonhos e as noites de papel, seios, púbicos, amnésia e cheiros estranhos de manhã,
Quando se acorda só, numa multidão barulhenta que crio em três inspirações desiludidas.
Às vezes não se consegue parar ou simplesmente exagera-se para que não notem
Que trememos ao sol, os deuses não podem tremer ou são esquecidos
Ou trancados onde a memória não chega ou tenta ignorar que se existiu.
Alguém me mete a alma num saco enquanto sinto aquela dor de Keroauc
Nas manhãs febris em cidades inventadas na ressaca de mais um dia.
10.05.2011
Turku
João Bosco da Silva

Aura, Bicycles and others
A blue dress among God, (I want to fuck God) and all His glory
Like a catwalk at four in the afternoon on an impossible sunny day
Two years ago a virgin, she sings what a half dozen beers and ciders
Oblige her to, and someone photographs the water, as if life goes beyond
A window of a houseful of photographs, where no one lives anymore to remember,
So nothing. And the teenager almost irritates me, but the silence sometimes (if someone panics
And cries softly) allows her an image of dessert, when life seems to be at its end.
The sun runs on, but it isn’t more than clouds, or people. Still, they run on.
And they become fat hornets, with raucous laughter between their wings, the moment
They walk away waving an open hand—before a closed one, and a mouth busy with other notes.
Bikes pass in other directions, more gods. All my flesh is credent,
And every thought is a prayer dictated directly by fact.
Green eyes, old flags of rich babies turning the existing wind,
A slight pain like those who breathe, or feel the weight under their feet, the weight and
The impossibility of becoming eternal (and sometimes legs are crossed open and infinitely.)
The Museum of Contemporary Art waits for the Sun to get tired, or for the grey to come in climax
And bring visitors to the inert colors inside, trapped between four walls with a possible humidity,
The kind that molds, not the kind that gives headaches and drains life
Whilst you read for a resolution. All this harmony, the sound of pages leaved by fingers
Slightly perspired, in the shade of a tree that awakens, dogs walking owners,
Books providing inspiration for dreams of undeserved naps, the whole balance,
With a strand of hair blown away by the wind, damaged:
“Whenever you want, wherever you want it,”
Usually, I rather life force me… or maybe not.
09.05.2011
Turku
João Bosco Silva, translated from portuguese by Sónia Oliveira
segunda-feira, 9 de maio de 2011

By the river
I sit on the grass
By the river
Doing what I love most:
Watching the beauty
Of nature, masterpieces
Of someone that once
Fucked and then
Milk,
Dippers,
Sleepless nights.
Library is on my back,
The sun higher
And burning my
Vampire skin,
The eternal motion
All around (some
Red haired girl
Just sat by my side
And I could love her
But is most probable
To just fuck her).
I light my cigar
As some drunk (not
My kind of drunk)
Walks by and barks
Some crap in awful
Language and waits
For my answer
Standing (hardly).
FUCK OFF, I thought
And the guy
Walked away with his
Plastic bag full
With cheap beer
And loneliness.
He must have some telepathic
Powers, mind reader,
But he´ll never know
About this poem
And I wish I didn´t either.
(The red haired girl
Is now doing the same
As me, but not quite,
She has a pink pen
And a green notebook,
I´m all black and yesterday
I came inside a girl´s mouth).
I barely think about
The life I extended
Today, all morning,
Just about the drunk
Bastard in front of me
As I try to eat
All the pussy
With my eyes
And my mind.
(Damn, pink flowers also,
That kind of fuck,
Just to release a bit more
The pain of being).
B.

Aura, Bicicletas e Outras
Enquanto um vestido azul com deus (quero foder deus) e toda a sua glória
Como uma passarela às quatro da tarde num dia de sol impossível,
Uma virgem há uns dois anos atrás, canta o que meia dúzia de cervejas, ou cidras,
Lhe obrigam e alguém fotografa a água como se a vida fosse além
De uma janela, uma casa cheia de fotografias, onde não mora ninguém para recordar,
Então nada e a adolescente quase me irrita, mas o silêncio, que às vezes (alguém se assusta
E grita, docemente), permite-lhe uma imagem de sobremesa quando a vida parecer estar no fim.
O sol parece fugir, mas não passam de nuvens ou gente, mas passam
E tornam-se em besouros gordos, com gargalhadas estridentes entre asas, num momento
Que se afasta com um abanar de mão aberta, antes uma fechada e a boca ocupada com outras notas,
Outras direcções as bicicletas que passam, mais deuses, toda a minha carne é crente
E cada pensamento é uma oração ditada directamente pela verdade.
Olhos verdes, bandeiras antigas de bebés ricos a tornar o vento existente,
Uma leve dor como quem respira, ou sente o peso debaixo dos pés, o peso e a sua
Impossibilidade de ser eterno (às vezes as pernas que se cruzam abertas e infinito).
O museu de arte contemporânea, espera que o sol se canse, ou que o cinzento se venha
E traga visitas às cores inertes, encerradas em quatro paredes com uma humidade possível,
Daquela que deixa grelado, não da que dá dores de cabeça e a vida toda a escoar-se
Enquanto se lê um resultado. Toda esta harmonia, som de páginas folheadas por dedos
Ligeiramente suados à sombra de uma árvore que acorda, cães que passeiam donos,
Livros a servirem de inspiração a sonhos de sestas poucos merecidas, todo este equilíbrio,
No fio de um cabelo levado pelo vento, estragado: “quando quiseres e onde quiseres”, eu
Que gosto que a vida me obrigue… ou nem por isso.
09.05.2011
Turku
João Bosco da Silva
domingo, 8 de maio de 2011

Mulheres
Não há muito mais do que aquela pele que brilha ao sol, enquanto a erva cresce debaixo,
Onde moram todos os sonhos sinceros, a única razão real e o verdadeiro desejo de morte
É um desejo de regressar, não propriamente à escuridão, mas à eternidade num momento
Húmido e quente, com outro coração, expirações contra o nosso corpo suado,
Enquanto o mundo envelhece, cansa, tomba as árvores como impérios,
Mas ainda há sombra, ainda há olhos azuis além daqueles óculos de sol
Que me sorriem, que sorriem com os lábios do mundo e dão sentido a esta parvoíce toda,
A esta falsidade de regras nunca escritas, quando a única regra é fazer pela vida
E isso só quer dizer uma coisa, com o rio a penetrar a cidade durante séculos
E antes da cidade a penetrar o que a suporta durante milénios, até ao momento
Em que estrelas ruivas, com uma chama a crescer da púbis, loiras e morenas
A explodir vontade, a violentar com desejo que nasce da sinceridade inocente
De uma erecção sem vergonha e uma resposta: claro que gosto de olhar para mulheres,
Não há nada mais bonito no mundo. São a razão disto tudo e aquelas pernas não
São só para serem bonitas e caminharem, aquele brilho, aquele excesso nunca suficiente,
São poemas e os poetas apenas tentam encontrar uma mulher perfeita na solidão.
As pontes não passam de uma forma de encontrar outra humidade,
Aproximar, nada de amor, cansa-me a palavra a exigência e a falsidade,
A excitação, o calor, o que não suporta palavras e apenas permite jorros quentes,
Gemidos e unhas a roubar pedaços de pele enquanto a alma se esquece
No catecismo esquecido de outros tempos e se é verdadeiramente humano.
Vestidos levados por bicicletas e um arco-íris de perfume doce que chama
Pelo nome original, adiados dedos perdidos em suspiros antes de se engolir o fim
Do mundo, a origem da tragédia, o pecado original, um golo de vinho tinto
E uma dentada na maçã vermelha antes do mamilo que nos aponta a língua
Como se a vontade fosse um poema por escrever a dois, a três, a quatro,
Porque até o infinito parece pequeno na primavera de todas as mulheres.
08.05.2011
Turku
João Bosco da Silva

Só Mais Um
E cá vamos nós, mais uma vez, obrigado, em português e nada me dá
Mais orgulho do que a morte. Um dia vou ser mais um monte pequenino de terra e
Cuidado, não pises que é pecado, com castanheiros velhos e desenhos animados
Da década de oitenta com amigos em sofrimento, porque todos sabem que nunca
Devia ter vindo à, cem olhos excitados que dizem o mesmo
Que a minha santa mãe, és tão bonito meu filho e eu uma merda do inferno
E a vida ainda me corre nas veias sem vergonha, não interessa, sempre fui
Demasiado pequeno e é sempre difícil ejacular depois de tanta vida à minha volta
Sem me sentirem verdadeiramente. Tenho pena, podia ter sido, nunca fui e pronto,
Só o amigo morto que me mata, me acompanha e o mundo acaba todos os dias
Sem mãos atrás do pescoço como vergonha e línguas a serem vergonha
Nos meus tomates nunca suficientemente vazios.
07.05.2011
Turku
João Bosco da Silva

Isto É A Vida
“time
Is made to be wasted”
Charles Bukowski
Meu rei, já estive no inferno e não há nada pior que hoje, agora, aqui,
Mesmo que pareça ter a felicidade na palma da mão, uma faca perto, à espera
Da coragem que os dias trarão. A fome e as italianas que sem fome, eu morro
Todos os dias sem a minha mãe saber e amanhece tão perto do clube de striptease
À beira do infinito, morre um dia para trazer o mesmo, sem esperança
E não ter esperança é ser rude e não acreditar é ser anti-social e eu
Sem me dar conta que não estou a ser o que esperavam e ninguém me conhece,
Apesar dos cinco minutos, não é possível haver tantos deuses com a morte à porta
Quando tento salvar o mundo, um inútil de cada vez e eu o maior inútil para sempre
Quando o cansaço me disser: ninguém te amou de verdade.
Revelações enquanto o mundo se torna azul e o verde dorme nos meus braços
Depois de um loira fria às quatro da manhã com a amizade a bocejar um até amanhã demorado.
06.05.2001
Turku
João Bosco da Silva
sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pallor of a Black Label
Not even Johnnie Walker Black Label can save me from the awareness of this,
The place where I sit, has not the slightest sense, the slightest reason to remain.
I awake, and it is just one more day to carry to the end, defeated.
I do not even feel the cobblestone, broken by time, by my feet of other times,
Knocking, the knocking on windows that are half-open, and people snoring in their two in the morning slumber.
Two in the morning slumber, come two in the morning, and still they won’t wake up.
Coffins close. Slumber goes on, and only the snoring ceases.
Damn, that only the dogs have a voice at this hour! Only the cobblestone responds answers to questions I did not ask.
Only the stars with their faraway light, give me another shy and unwilling step.
It hurts me, it hurts, this weight of everything I’ve left for an illusion,
That I knew beforehand was a mistake, and a brave blindness of nostalgia, and in the end…
An insomnia that is paid with years of living every minute that passes,
That is palpable, in echoes that drive crowds mad, with every tic of the black Swatch purchased in Zurich on the wake of farewell. Farewell!
This will never be real, not this conscious life. Come what may, it may affect the body as well,
But let it come! I could have seasoned nights at the end of the world, in a life of hell, that isn’t even headed for that either,
And nobody will see. Nobody will feel. Only I walk on, bag over back, so heavy that,
Even the wine has not yet fermented. They want to sleep, but they are already asleep,
Since they woke up in this world. Open eyes, who has them?
Black, and not even this can give me fondness for life, at this hour, after the dogs that only bark at me,
After the empty houses stocked with slumber of those of whom I don’t know their names.
Come on, they tell me. We’re going somewhere or have you not realized it? I don’t say. For what?
C'mon already, because by now, I feel what led the ancestors, which I did not meet.
Come, the time calls, and I do not know how much I have left. I just want to go while I still can.
So many great people at this hour, yet I am alone, I am less than what I thought I was when I awoke without a will.
Without a will, how could I have one on a cold and overcast September dawn?
With only Nothing waiting for me, but I know that then, I'll be grand, mute, but grand:
Those who didn’t listen, are dead and shall never live again. It's after two in the morning, and time isn’t waiting
For those who run on and don’t want to listen, or take time to listen, in a never-ending hurry towards the end.
Then follow them! May the cobblestone guide you to their stone-like rhythm all the way to the grave of angels that make family’s cry.
Poor thing, such a good person, and not one of them lived you, really.
The cellos call me from so far away, that I do not want to believe what I was,
But I was, and no one believes that beyond the truth, only known
much later in the world, life, through flesh that rips—and is so sweet,
That drips and sips with ease and pleasure that is felt through groans, so sincere, so helpless.
One can only be sincere when the hope of nothing takes you by the hand and leads you through the darkness.
Smiles that touch me, like flies on a hot morning that is long bygone,
After a sleepless night, beyond the two in the morning of my life:
Today I see that the sun won't be long dawning yet another day I did not ask for.
The streets of Savonlinna used to accompany me with the creaking of my weight over the snow,
The streets of the world groan with the weightlessness of my footsteps throughout time.
And everything is kitsch, and everything is life beyond good and evil. The art stays home, fast asleep.
Between two edges and what comes from above, with or without sea, with wind or smell
In the expectation of sex, be it stale words, or extreme meat, beyond impossible dreams that weigh.
Amsterdam calls me with dragging screams, with a will of ash and tulips that I've never seen,
When I don’t even want to know about the heathers that make my bones so rustic of this country.
I don’t care, not tonight, at two in the morning, when the sun has already begun to tell me I won't sleep yet another night.
When the Black Label calls out to me: Read another poem of José Agostinho Baptista.
No, not tonight. Enough of being away from myself, enough of not finding me within you,
Ever so far, you, neighbor of my heart, always faraway in the childish evenings.
Today, not even an attempt at Hunter S. Thompson, so far from reality
That one can only be found farther within, than thought possible.
Piles of granite cobblestone that speak to me directly for the dogs
That I am this, I am when people snore, and this isn’t human, this is but dreams:
Art is what you do when Black Label tells you that life is not so little, cannot be so little,
But it is, and slumber says: Hang tight, for the morning has already brought the flies, and you're still breathing.
24.09.2010
Torre de Dona Chama
Joao Bosco Silva, translated from portuguese by Sónia Oliveira
quinta-feira, 5 de maio de 2011

Portuguese Haikus (translated by Sónia Oliveira)
Six euros and twenty cents,
Says the cashier;
He’s an accountant.
Thirty-two years serving tables,
The mother looks like the grandmother
When she was little.
A golden ring
Everything stays the same.
For how long?
A diploma in hand,
For those who don’t know
What to do.
An unlit cigarette in
the café ashtray:
What now?
The seconds pass and
What they bring
Is not expected.
One more day.
Not this one, but tomorrow
it will be.
Pharmacy bill paid,
A few more days of life
Hungry.
The viaduct is a really big house,
For those who do not own a
Small one.
“Where are your children?”
Someone asks.
“Abroad.”
"We have to endure sacrifices..."
And another lie is told
Without costing too much.
The swallows always return
Whenever, whichever,
the president.
João Bosco da Silva
quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dizem… cospe-lhe na boca enquanto tentam
Não interessa e nem sei o que não interessa, mas se é, acabará,
Por isso, nem me levanto, entra entra, sou um poeta, sabes o que é um poeta,
Senta-se, nunca está sozinho, atravessa a noite asfixiante com carne quente
E sedenta de mais carne e sente-se um cadáver seco num deserto sem estrelas,
E escreve, escreve e não se interessa com o sentido que possa fazer fora,
Porque o que o faz escrever é a ausência de sentido
E escreve na mesma língua da razão da vida, a língua dos deuses,
Um dia não haverá olhos e a morte será para todos, para os grandes
Só porque mais olhos em cima, não interessa, mesmo, nada, haja caminho
E Johnnie Walker e um sofá para repousar o corpo que nos matará a alma toda
E a possibilidade da eternidade que a carne nos mostra, uma ilusão de palavras,
As mulheres são os melhores poemas que alguma vez escrevi e nunca serão meus,
Nunca mais depois de sair delas, não sei se sou eu que saio dos poemas,
Se são eles que me abandonam como merda de mosca em forma de letras,
Palavras, quase pensamentos, a sério, não sei e não vale a pena, não interessa,
A luz apaga-se e amanhã ao passar pelos jardins, terei mais uma vez inveja dos jardineiros,
O aroma da terra aberta, como uma mulher à espera da minha penetração,
Como um poema que pinga das falanges e não quer ser útil, apenas possível
E torna-se maior que deus, que a vida eterna e que os sonhos assassinados pela realidade.
04.05.2011
Turku
João Bosco da Silva
terça-feira, 3 de maio de 2011

Sentado À Beira Do Fim Do Mundo
Sento-me à beira do fim do mundo e nada em mim é o que pensei que viesse a ser,
Como sempre acontece quando finalmente o presente chega iluminando
A escuridão, o mistério a dúvida e o medo, apenas ossos brancos, uma nudez de sem alma,
Um vazio que não se sente como quando ela abriu as mãos e a areia é sempre demasiado fina
Para os dedos que tentam iluminar um quarto vazio sem janelas à meia-noite de um sorriso.
Ninguém se deixa ir quando o abismo chega, ninguém se desvia dos flocos brancos
Da neve eterna que se torna gente e rugas e um coração cada vez mais seco,
Mais pesado com os anos que se perdem na eternidade de uma que não será de ninguém
E os vencedores são uma ilusão, demasiado barulho numa noite de cansaço
E inevitabilidade, enquanto casas são demolidas e ao lado estátuas iludidas para sempre.
E o resto são lágrimas evaporadas no calor infinito de uma estrela que agoniza,
Uma luz que parece cortar o infinito, por um instante, que quer valer a pena,
Quer encontrar o seu lugar, quer ser criado por alguém, o ridículo de crianças
Que não querem crescer e tomar o lugar dos que afinal também sofrem e serão os avós
E caixas fechadas escondidas por terra como se fosse vergonha da fragilidade.
Secam os amores, morrem deuses e outras mentiras e à beira do fim
Só valeram a pena os sorrisos pequenos, as unhas sujas de terra,
O cheiro a suor enquanto o sol, a liberdade encontrada na companhia dos montes,
O sabor a medo do primeiro beijo, a ejaculação apressada da única vez verdadeira,
O colo da mãe, o abraço seguro do pai, a admiração da irmãzinha tão grande, maior,
As palavras que os amigos não têm que dizer porque o coração canta e é sincero,
Os brinquedo favorito debaixo da almofada e aquele que se perdeu
E viverá para sempre além da escuridão, além do fim do mundo, na companhia delas,
Quando todas as portas se fecharão no vazio, tornando impossível o que foi um universo.
03.05.2011
Turku
João Bosco da Silva
sábado, 30 de abril de 2011

Pornographic
After a lot of the same
Old warming up
Melting meat
Cutting invisible chains,
I finally felt myself
Getting inside of her,
Then, when I reached
Her soul,
Deep inside
(Or not so deep),
She covered her face
With both hands
And said,
I´m sorry.
She wasn´t talking to me,
Maybe to god,
Maybe to the guy
Who gave her the ring
She had in her purse.
Anyway, it made me
Come really nicely:
I was fucking two
Persons at the same time.
B.
