terça-feira, 7 de outubro de 2014

Vejo Gente

“weirdness feeds on itself”

Hunter S. Thompson, Screwjack


“Spilled your fat looks
Smoked out cow pokes
Sequinned mountain ladies
I love you all”

Frank

Vejo gente com hormonas a saltitar, com os filhos dos outros, armados em fofinhos,
Eu coleciono latas vazias, livros lidos, quase novos, quem quiser comprar, levam o
Meu nome e data de compra, tudo literatura de urinol, abre olhos, no pior dos
Casos conjuntivite por clamídia, a gente também podia ser mais limpa, não digo
A nível de moral, mas pelo menos, menos hipócritas, limpos em assumir aquilo que
Querem e são, de cá, parece tudo melhor e pior, quem veste é pago para parecer bem,
Como quem lê para agradar ou espera um lambidela nos tomates ou no grelo,
Eu espero o Inverno e sei que será fodido, como é sempre, mas também o Jim
Era fodido e passou, ainda há ecos, claro, e pés frios, mas nada que a solidão
Não aqueça no desespero dos cabelos brancos e nas lágrimas desperdiçadas
Porque se julgou que era a hora, a última hora e agora é esperar para ver,
Vejo gente com o pito aos saltos, com bebés alheios no colo, esperando piças,
Esperando mamar leitinho quente do amor dos outros, porque sabe sempre tão bem,
Chupar no amor alheio e sair ileso, apenas com a marca de um pecado e uma
Consciência lavável à máquina, até ao micro-ondas pode ir, em caso de alergia
A roupa interior arrefecida na varanda, também escreves poesia, pergunto,
Andaste a aprender demasiado com outros, esquece tudo, compra um tractor
E deixa-o abandonado contra uma acácia numa reserva qualquer para turistas
Lá para os lados do Quénia, alguns verão aquilo como uma lição de surrealismo,
Tu se fores eu, verás aquilo como um dedo no cu, uma lição de decadência,
De vida, se fores eu,  ficará marcado na tua alma como aquela tarde
Pelo Chiado e barracas, quando eras novidade, torga fresca, arrancada do
Gelo nórdico na esperança de olhos e menos subordinação às raízes apodrecidas
Pelo amor ao caruncho e fungos amantes da humidade sem uso,
Isto é isto, e eu amo-vos a todos, como diria eu se fosse cantor e louco,
Mas não posso, tenho vidas todos os dias além da minha e sem saberem,
Agradecem a minha lucidez e a minha sublimação sem arte nenhuma. Amén.

07.10.2014

Turku

João Bosco da Silva