Contar Carneirinhos
Às vezes, quando a noite tem o peso do mundo
E cansaço encosta a insónia ao futon,
Prometendo-lhe medos maiores, revoltas silenciosas,
A caixa de pandora fechada ao lado, insuportável,
Não conto carneirinhos, tento lembra-me,
Um por um, não dos nomes, mas dos corpos
Onde me deixei ser todo eu, vertendo futuros,
Promessas obvias na derrota, até que me perco,
Ou na areia daquela praia à noite em Tenerife,
Nos lençóis duvidosos naquele barco desde Estocolmo,
Na casa de banho dum bar, doutro bar,
Até que as contas espalhadas pelo chão,
O colar apertado enfim quebrado,
E o corpo só, finalmente, se deixa diluir quente,
Em lençóis de mercúrio, Caronte ou Morfeu,
Um barco sobre um banco de areia movediça.
30.01.2026
Turku
João Bosco da Silva
