segunda-feira, 31 de março de 2025

 



Velha Pulseira

 

Não me lembro com exactidão, como se rebentou

O elástico da pulseira que trouxe do Quénia,

Noutra vida, antes da anterior, sem regatear

Para choque do vendedor, há quinze anos,

Há quase dez, todas as peças num saco, esquecida,

Como o nosso amor apagado, quebrado,

Há coisas que levam tempo, a curar, a apagar,

Esquecer algo ou alguém, até chegar um dia resoluto

Em que se decide pôr mãos à obra

E recuperar um objecto, um sonho do qual se desistiu,

Um velho amor, a própria vida, como quem sacode

Remorsos e arrependimentos, peças esquecidas

De uma pulseira há muito rebentada.

 

Turku

 

27-03-2025

 

João Bosco da Silva

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