Velha Pulseira
Não me lembro com exactidão, como se rebentou
O elástico da pulseira que trouxe do Quénia,
Noutra vida, antes da anterior, sem regatear
Para choque do vendedor, há quinze anos,
Há quase dez, todas as peças num saco, esquecida,
Como o nosso amor apagado, quebrado,
Há coisas que levam tempo, a curar, a apagar,
Esquecer algo ou alguém, até chegar um dia resoluto
Em que se decide pôr mãos à obra
E recuperar um objecto, um sonho do qual se desistiu,
Um velho amor, a própria vida, como quem sacode
Remorsos e arrependimentos, peças esquecidas
De uma pulseira há muito rebentada.
Turku
27-03-2025
João Bosco da Silva
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