Almoço
Enquanto comes, meu amor,
Desse teu jeito calculado,
Vejo o mundo em que te tornaste,
De uma promessa em bruto,
Aos poucos te revelas tu,
E dou-me conta que o amor mais puro,
É amar quem se vai conhecendo,
Lentamente, uma palavra de cada vez,
Uma cor que ora se erra,
Ora se acerta, os números
Que primeiro cantados, aos poucos,
Uns dedos no ar,
O sol de Inverno ilumina-te os olhos verdes,
Enquanto, uma a uma,
Molhas as batatas fritas
Na gema do ovo estrelado,
Como eu faço ainda,
Estendes-me então a mão
E pedes-me, em finlandês,
Canta comigo papá.
02/02/2026
Turku
João Bosco da Silva

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