Lua e Morcego
Quando aponto para a Lua e te digo,
Olha que grande, tu logo,
Na tua língua, morcego, morcego grande,
Não dizes Lua, nem Kuu,
Mas morcego,
Sei que nunca viste um morcego,
Além de uma ilustração infantil,
Não como os que capturávamos
Na igreja e eventualmente
Morriam quando os soltávamos em casa,
Sem espaço para se orientarem,
Escavávamos depois em fragas de granito
Pequenas covas, como túmulos neolíticos
Ou medievais, onde cabiam
Uma pequena caixa de fósforos
E dentro o delicado corpo do morcego,
Aos teus olhos a Lua também cabe
Numa caixa de fósforos e estás tão certa,
Porque é que a Lua é Lua e não morcego
Ou outra palavra qualquer,
As palavras têm ainda para ti
O peso e a agilidade das asas de um morcego.
03.02.2026
Comboio (Helsínquia-Turku)
João Bosco da Silva
Sem comentários:
Enviar um comentário