A Morte de António Lobo Antunes
Não há boa altura para morrer,
Mas a pior deve ser mesmo antes
Da chegada da primavera,
Comecei a ler Lobo Antunes há quase
Vinte anos, mudou completamente
A forma como escrevia poesia,
Levei-o de autocarro comigo em invernos
Inimagináveis que só a juventude aguenta,
Entre Savonlinna e Rantasalmi,
Foi quem me acompanhou nas Tuskers
No centro de Nairobi, e vidas mais tarde,
À beira da piscina em Canggu,
Sempre que me sentia bloqueado,
Ele sempre me trouxe de volta a fúria,
Uma vez fiquei num hotel perto do seu tasco
Favorito em Lisboa, na ocasião de apresentação
De um dos meus livros, nunca o vi,
Não foi preciso, tenho-o comigo, sempre.
Turku
05.03.2026
João Bosco da Silva

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