quinta-feira, 5 de março de 2026

 


A Morte de António Lobo Antunes

 

Não há boa altura para morrer,

Mas a pior deve ser mesmo antes

Da chegada da primavera,

Comecei a ler Lobo Antunes há quase

Vinte anos, mudou completamente

A forma como escrevia poesia,

Levei-o de autocarro comigo em invernos

Inimagináveis que só a juventude aguenta,

Entre Savonlinna e Rantasalmi,

Foi quem me acompanhou nas Tuskers

No centro de Nairobi, e vidas mais tarde,

À beira da piscina em Canggu,

Sempre que me sentia bloqueado,

Ele sempre me trouxe de volta a fúria,

Uma vez fiquei num hotel perto do seu tasco

Favorito em Lisboa, na ocasião de apresentação

De um dos meus livros, nunca o vi,

Não foi preciso, tenho-o comigo, sempre.

 

Turku

 

05.03.2026

 

João Bosco da Silva

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