terça-feira, 25 de outubro de 2016

Marla Singer

“At time, my life just seemed too complete, and maybe we have to break everything to make something better of out ouserlves.”
Chuck Palahniuk

Andei o dia todo a tropeçar em versos alheios e era a ti
Quem me parecia encontrar nas sombras entre cada verso,
Não consegui aguentar mais o poema assim que senti
O gosto do fumo do teu cigarro na ponta da língua, onde tem pernoitado
Na minha falta de sono e sonhos, tu umas filas à frente silenciosa
E tão gritante que nem um verso se ouve cair, de cinza e fumo,
Quanto tempo passamos a quebrar-nos para nos sentirmos inteiros
E acabamos inteiros como os filmes onde julgávamos encontrar-nos,
Mas eram afinal os ecos da ficção nos nossos corações vazios,
Foste a personificação da perdição pela qual me apaixonei,
Aquele sabor do meu sangue nos teus dentes enquanto a porta se abria
E a noite subitamente tudo, os autocarros perdidos à força dos últimos
Espasmos secos em fomes afogadas em enterros entre cigarros e outro tesão,
As luvas azedas esquecidas no lava-loiça cheio de esquecimentos menores
E vergonha, os inibidores da recaptação de serotonina que acabamos por aceitar
Como se aceita a vertigem na queda “and suddenly, I felt nothing”.

26.10.2016

Turku


João Bosco da Silva