Calígula
Todas as manhãs ao acordar consulto os oráculos obscuros,
Já terá morrido o Calígula, em que apocalipse já vamos,
O ar pesa pelo dia fora, apesar do céu limpo
E da coragem dos pássaros no cabo daquele poste,
Mas os oráculos revelam a cada novo dia mais uma loucura
Deste deus que não perde por esperar a afiada lâmina
Da guarda pretoriana, podre, cagão, um pedaço de delirante
Merda, uma grandeza de retrete com fatos esquecidos
Num armário ideológico desde os anos oitenta,
Quem alimenta a divindade destes deuses flatulentos,
Milhões de zombies obedientes, metade de um país
Que é um barril de pólvora, sedento de sangue irmão,
Já morreram impérios por menos, que seja este mais um
A implodir com o peso da sua fome imperialista,
O elástico cada vez mais longe, mais fino,
Acordo todas as manhãs com uma pedra no sapato,
O mãozinhas-pequenas, imperador dos idiotas,
Adia, adia e distrai, mas toda a gente sabe,
A história repete-se, as lâminas afiam-se e esperam o
cansaço
Do senado, que se encerre a cena antes da civilização.
13.01.2026
Comboio (Helsínquia-Turku)
João Bosco da Silva

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