terça-feira, 6 de janeiro de 2026

 


Crónica da Raia

 

Já naquele tempo eram muitas as ruínas

Caminho abaixo até ao rio Trancoso,

As silvas cobriam misteriosos passados,

Moinhos abandonados, pequenas casas

Vazias onde ecos de famílias inteiras,

Pareciam-me os eucaliptos mais evidentes,

A Espanha um reflexo do outro lado do rio,

Mais nítido com um sotaque mais miudinho,

De onde vinham os iogurtes, as baguetes

E o fiambre que dava pratos,

Acabava o tempo dos contrabandistas,

O último, lembro-me, ainda conseguiu

Trazer da Espanha um paralelo de granito

Do tamanho da sua bebedeira e da solidão.

 

Turku

 

06.01.2026

 

João Bosco da Silva

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