Crónica da Raia
Já naquele tempo eram muitas as ruínas
Caminho abaixo até ao rio Trancoso,
As silvas cobriam misteriosos passados,
Moinhos abandonados, pequenas casas
Vazias onde ecos de famílias inteiras,
Pareciam-me os eucaliptos mais evidentes,
A Espanha um reflexo do outro lado do rio,
Mais nítido com um sotaque mais miudinho,
De onde vinham os iogurtes, as baguetes
E o fiambre que dava pratos,
Acabava o tempo dos contrabandistas,
O último, lembro-me, ainda conseguiu
Trazer da Espanha um paralelo de granito
Do tamanho da sua bebedeira e da solidão.
Turku
06.01.2026
João Bosco da Silva

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