terça-feira, 28 de fevereiro de 2012



Não Esperes Grande Coisa

Não esperes grandes palavras, essas parecem só aparecer quando não há mais nada,
Vêm nas noites de insónia e ocupam o olhar vazio fixado no tecto, vêm num crepúsculo
Que não tem nada triste, só nos olhos de quem à janela, espera sabendo que não vem
Ou já foi, uma quase tristeza que a distância do tempo e a distância da distância
Fazem do que uma vez felicidade. Não esperes grande coisa, até porque ainda não
Há necessidade de luz artificial, as plantas crescem e as aves continuam nas suas conversas
De penas coloridas, os pastores regressam com as vacas e quase nem me lembram
Os fins de tarde numa aldeia do interior de outro mundo, o chocalhar a encher as ruas,
Não demoram a dar as trindades, cheira a comida no ar, mas hoje será cabra,
Não das que se tentam lavar da alma com poemas forçados, das que crescem na sede,
Na inocência que está contada, na autenticidade que começa a ser pálida, se admira,
Mas não se compreende. Não esperes grande coisa, grande bravura, a distância entre
A minha mediocridade (um Massai vem fazer negócio) está além de um cartucho vazio,
Mas desculpo-te Hemingway, por isso desculpa-me também esta secura de palavras.

23.02.2012

Massai Mara

João Bosco da Silva

Sem comentários:

Enviar um comentário