quarta-feira, 2 de maio de 2012



Outro Aniversário

É triste acordar, logo depois de entrares no carro comigo, o cemitério ali ao lado,
Fechas a porta e quando o teu cheiro tão próximo que quase o sinto iluminar o hipocampo
Acordar para mais um ano, longe do teu cabelo a frisar com o vapor da nossa excitação,
E hoje o dia é de Sol, chove-me nas recordações, mas nunca fui tão triste,
Trocam-se os sonhos por anos e as mãos cada vez mais inúteis e vazias,
Os poemas amontoam-se, vazios que tentam preencher um vazio que cresce,
São velas que ardem em busca de uma cura para o tédio, mas só fumo e manchas negras
No crânio que nem se digna a guardar o que vale a pena, porque sabe bem que não há nada
Que valha a pena, valeram os teus lábios enquanto nos meus, tão húmida tu, tão sincera
Na minha pele e eu que quase nem joelhos, acreditando na eternidade dos teus olhos,
Eu todo a ser nebulosa dentro do teu universo, mas a porta fechou-se, eu acordei
E hoje nem chove, nem festejo, duro apenas, trago comigo todas as recordações
Que me fazem o hoje triste, porque quanto mais vida, menos vida se sente,
O calor sem o teu corpo é um desconforto, o Sol um horizonte difícil de olhar,
A humidade o que os olhos buscam, mas só palavras, e os anos somam-se, na tua ausência.

02.05.2012

Turku

João Bosco da Silva

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